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HaydnMÚSICA ORQUESTRAL

Haydn – Quantidade e Variedade: Sinfonias nºs 26 e 103

A obra de Haydn é muito grande. São 104 sinfonias, 83 quartetos de cordas, 45 trios para piano e cordas, 62 sonatas para piano e muitos outros trabalhos. Estima-se que, ao todo, sejam 340 horas de música.

Mas a característica da obra de Haydn que queremos destacar aqui é outra: sua grande variedade, ilustrada pelas duas obras radicalmente diferentes que vamos apresentar.

 

Período Sturm und Drang (Tempestade e Tensão): Sinfonia n° 26Lamentatione

A Sinfonia Lamentatione foi escrita por volta de 1768 (Haydn tinha 36 anos) e é uma das muitas peças em tom menor compostas no período 1768-1772.

Este período da produção de Haydn é geralmente chamado hoje de Sturm und Drang. Na verdade, este é o nome de um movimento literário alemão que começaria algum tempo depois, que privilegia a paixão e a emoção e se revolta contra o absolutismo político e as convenções sociais.

Uma das obras mais apaixonadas e dramáticas de Haydn, o nome “Lamentação se refere ao canto gregoriano que o compositor usa nos dois primeiros movimentos. É um canto usado na liturgia católica na quinta-feira santa – as lamentações do profeta Jeremias. No segundo movimento, Adagio, o uso do cantochão, que se sobrepõe aos ornamentos, é especialmente tocante.

A Sinfonia nº 26 só tem três movimentos (em vez dos quatro habituais). Termina, assim, também de forma muito pouco usual com um Minueto breve e severo.

Haydn – Sinfonia nº 26 em Ré Menor, Lamentatione | Sigisvald Kuijiken & La Petite Bande

 

As Últimas Sinfonias – Londres: Sinfonia nº 103, “Rufar de Tambores”

A Sinfonia nº 103 foi terminada em 1795, quase 30 anos depois da nº 26, que acabamos de ouvir. É a penúltima sinfonia de Haydn e faz parte de um conjunto de 12 obras do gênero compostas para execução nas viagens que ele fez a Londres.

Seu apelido vem de sua introdução lenta e enigmática, um rufar de tambores, ao qual se seguem passagens nas cordas graves e nos fagotes que lembram o tema do Dies Irae. 

As sombras da introdução se dissipam no Allegro con Spirito dançante que vem a seguir.

O segundo movimento é um conjunto de variações duplas, ou seja, variações sobre dois temas que se alternam, um em dó menor e o outro em dó maior. Os dois são variados duas vezes, de forma cada vez mais elaborada. Esta forma de variações duplas era uma especialidade de Haydn.

Minueto explora um tradicional yodel austríaco, enquanto no Trio as clarinetas dobradas pelas cordas descrevem arabescos sonoros.

Sobre o final, diz o crítico Richard Wigmore:

“Haydn realiza aqui um feito extraordinário, mesmo para seus elevados padrões: cria um movimento de grande dramaticidade harmônica e contrapontística a partir de um mínimo de material – um chamado das trompas e um fragmento de uma canção folclórica.”

Haydn – Sinfonia nº 103 em Mi Bemol Maior, “Rufar de Tambores” | Sigisvald Kuijiken & La Petite Bande