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Haydn – Sonatas para Piano nºs 58 e 33

Uma coisa interessante aconteceu com a evolução das Sonatas para piano de Haydn. Além do amadurecimento do compositor, dois outros fatores foram de fundamental importância para sua evolução: os intérpretes e os instrumentos a que se destinavam.

As primeiras sonatas são simples, foram escritas para seus alunos. Pouco a pouco, o nível dos intérpretes foi melhorando – as sonatas passaram a ser mais e mais escritas para amadores talentosos e depois para virtuosos.

Os instrumentos em que a música era tocada também variariam consideravelmente: do clavicórdio do princípio até os pianos Broadwood de Londres para os quais Haydn compôs suas últimas sonatas.

 

Sonata nº 58 em Dó Maior, Hob. XVI:48

Em 1784, Haydn dedica três Sonatas para piano à Princesa Marie Esterhazy. São estruturas leves de dois movimentos. Depois de um intervalo de cinco anos, Haydn volta em 1789, aos 57 anos, a compor sonatas.

Mas agora, seu estilo é radicalmente diferente. Seu caráter de improvisação e sua extraordinária liberdade de escrita prenunciam os últimos Trios de cordas.

Esta nova abordagem é imediatamente aparente no primeiro movimento da Sonata nº 58, um Andante con espressione. Novamente, a estrutura de fundo é a da dupla variação, com dois temas relacionados de perto. Mas sobre esta estrutura, Haydn cria uma música cheia de humor e de brincadeiras. Somente dois interlúdios em tom menor são mais sérios e expressivos.

O Rondó Final nos reserva muitas surpresas, inclusive um exuberante episódio central, semelhante aos interlúdios “turcos” de Beethoven.

Haydn – Sonata nº 58 em Dó Maior, Hob. XVI:48 | András Schiff (piano)

 

Sonata nº 33 em Dó Menor, Hob. XVI:20

A Sonata em Dó Menor é muito especial na obra de Haydn. Sua expressividade e dramaticidade a colocam muito além de qualquer obra para piano de sua época.

O primeiro movimento, extremamente poderoso, transmite uma emoção que vai se renovar com uma dinâmica ainda maior no tempestuoso Finale.

Entre estes dois movimentos extremos, diz um comentarista, está um Andante con moto, um centro tranquilo da tempestade.

Haydn – Sonata nº 33 em Dó Menor, Hob. XVI:20 | András Schiff (piano)