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Bach – Cantata, BWV 78
Cantatas de Bach

Bach – Cantata, BWV 78

A Cantata, BWV 78, Jesu, der du meine Seele (Jesus, que por tua amarga morte, arrancaste minha alma do antro tenebroso do demônio), foi escrita para o 14º domingo depois da Trindade. O Evangelho deste domingo relata a cura por Jesus de dez leprosos (Lucas 17:11-19). O último versículo, “Levanta-te, vai; tua fé te salvou”, é a chave para a interpretação da obra.

A riqueza de formas e a expressividade desta Cantata fizeram dela uma das mais conhecidas de Bach.

A peça foi baseada no cântico de Johann Rist, de 1641, Jesu, der du meine Seele, do qual foram preservadas intactas pelo libretista a primeira e a última estrofes, usadas no coro de abertura e no coral final.

As demais estrofes foram condensadas e transformadas em textos modernos para os dois recitativos e as três árias. Estes movimentos, os coros, os recitativos e as árias são um estudo dos contrastes do estilo barroco, como veremos a seguir.

O coro de abertura é uma magnífica fantasia coral que se baseia em um motivo cromático descendente de quatro compassos que simboliza a dor e o sofrimento. Bach usou este mesmo motivo em várias outras obras, como, por exemplo, o Capricho Sobre a Partida de um Irmão Diletíssimo, BWV 992, e as cantatas BWV 12, Weinen, Klagen, e BWV 150, Nach dir, Herr, verlanget mich.

Sobre este motivo recorrente é construída uma passacaglia em que o coro comenta verso a verso, em forma de moteto, a primeira estrofe do cântico de Rist com interlúdios orquestrais.

O duo soprano-contralto que se segue tem um clima completamente diferente da abertura: ele é leve e encantador em sua ingenuidade. Tanto o baixo contínuo como as vozes, que cantam em imitação, simbolizam os passos fracos, mas diligentes com que o discípulo segue Jesus, de que fala o texto.

Um novo contraste surge no comovente recitativo para o tenor. O texto fala sobre a profunda contrição do pecador. A música é de uma veemência rara, mesmo na obra de Bach.

A ária para o tenor com flauta transversal obbligata que vem em seguida é uma resposta consoladora à inquietude do recitativo.

“Die Wunden, Nägel, Kron und Grab” [Os ferimentos, os pregos, a coroa (de espinhos) e o túmulo] – assim começa o recitativo acompanhado para o baixo. Intensamente dramático, ele marca a volta da instabilidade do recitativo anterior.

A terceira ária, para o baixo, é quase um allegro de concerto para oboé e cordas. Seu tom é de confiança e otimismo.

O contraste final é dado pela sobriedade e simplicidade da harmonização do coral no movimento final, em oposição ao brilho da ária anterior.

Bach – Cantata BWV 78, “Jesu der du meine Seele” | Maria Keohane (soprano), Tim Mead (contralto), Daniel Johannsen (tenor), Matthew Brook (baixo), Sociedade Bach da Holanda regida por Jos van Veldhoven