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Beethoven - Abertura Coriolano
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Beethoven – Abertura Coriolano

A morte do herói, que posteriormente se tornaria um dos principais componentes do vocabulário musical de Beethoven, era tema central na música revolucionária francesa de Gossec e Méhul, compositores que influenciaram o autor.

Essa temática aparece bem cedo em sua obra – a Marcha Fúnebre da Sonata nº 12, Op.26 (Marcia funebre  sulla morte d’un eroe), o oratório “Cristo no Monte das Oliveiras” (“Christus am Ölberge”), Op. 85, e a Sinfonia nº 3“Eroica”, Op. 55 (“composta para celebrar a morte de um grande homem”) são alguns exemplos.

A Abertura Coriolano foi composta por Beethoven em 1807 para a tragédia Coriolanus, do dramaturgo austríaco Heinrich Joseph von Collin, escrita em 1804.

Caio Márcio Coriolano era um general romano corajoso e arrogante, que tinha conduzido seu exército ao triunfo sobre os volscos em 493 a.C. Ele era um patrício romano e, portanto, tinha profundo desprezo pelas classes menos privilegiadas. No Senado, tentou abolir a figura do Tribuno da Plebe, único representante do povo no governo romano. Por isso, quase causou uma revolta em Roma.

Coriolano foi julgado pela Assembleia do Povo e condenado ao exílio por ter tentado derrubar o governo. Furioso, ele se faz contratar pelos próprios volscos, que havia derrotado, e ataca Roma com seus exércitos. Quando declara estado de sítio à cidade, os líderes romanos entram em pânico e enviam emissários para convencer Coriolano a suspender o cerco, mas ele é irredutível.

Como último recurso, um grupo de mulheres, do qual fazem parte sua esposa e sua mãe, vem pedir misericórdia. Assim, Coriolano finalmente cede. Há diferentes versões sobre o que acontece  depois. Na peça de Collin, ele se suicida – um ato que os romanos consideravam a resposta adequada à perda da honra.

Beethoven cria aqui um poema sinfônico, anos antes que esse formato tivesse sido inventado.

Coriolano, o herói, se faz ouvir logo nos primeiros acordes. O primeiro tema mostra o general que desafia Roma. O segundo tema é lírico: são os apelos de sua mãe e de sua esposa. O desenvolvimento mostra o conflito na mente de Coriolano. Perto do final, volta o primeiro tema, mas agora vacilante. Os acordes iniciais retornam enfraquecidos e se esvaem – o general agoniza.

A magistral interpretação de Carlos Kleiber é cheia de fogo e compaixão.

Beethoven – Abertura Coriolano, Op. 62 | Carlos Kleiber rege a Orquestra do Estado da Bavária