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Brahms - Quinteto de Cordas em Sol Maior, Op. 111
BrahmsMÚSICA DE CÂMARA

Brahms – Quinteto de Cordas em Sol Maior, Op. 111

Quando Brahms enviou o Quinteto de Cordas em Sol Maior ao seu editor Fritz Simrock, encaminhou também uma nota anunciando sua aposentadoria: “É realmente tempo de parar”. Aos 57 anos, Brahms pretendia terminar sua carreira. O compositor pensava que esta seria sua última obra e assim fez dela uma de suas mais elaboradas e “caprichadas”. (*)

O Quinteto foi composto no verão de 1890, quando Brahms estava de férias nos Alpes austríacos. A obra traz o frescor do ar de montanha. 

O maravilhoso início do primeiro movimento, Allegro non troppo, ma con brio, em que o violoncelo se sobrepõe aos outros instrumentos, traz uma melodia que evoca os vastos panoramas que Brahms deve ter visto ao compô-lo. O segundo tema traz o primeiro dos muitos ritmos de dança que intercalam a obra, uma valsa vienense tocada pelas violas. O desenvolvimento, diz um crítico, é sinfônico em seu escopo, com muitas seções contrastantes, até que o tema da abertura retorna para a recapitulação e término do movimento.

O segundo movimento, Adagio, é monotemático. Sua melodia simples é apresentada em quatro variações que vão do sereno ao apaixonado. O tratamento harmônico é diferente e pouco usual, o clima é mais sombrio do que o do movimento anterior. A viola tem papel proeminente.

O terceiro movimento, Un poco allegretto, é nostálgico; seu andamento não é lento nem rápido. Diz um crítico, “é algo de único na estética musical de Brahms, sentimentalmente definido como intermezzo”. O trio encantador traz um duelo entre os violinos e as violas.

O final, Vivace, ma non troppo presto, é uma sonata-rondó. É desabrido, tempestuoso, com ritmos de dança. O segundo tema tem seu próprio bravado, fortemente sugestivo de uma dança campestre. Nada pode igualar, porém, o élan da coda, que lembra as czárdás húngaras.

(*) Isto foi antes de Brahms conhecer o clarinetista Richard Mühlfeld e se encantar com o instrumento, fato que o levou a compor duas sonatas, um trio e um quinteto. Interessante a comparação com Mozart, que também veio a conhecer um virtuose da clarineta, Anton Stadler, no fim de sua vida e para o qual escreveu duas de suas maiores obras, um quinteto e um concerto, além de um trio, para o instrumento.

Brahms – Quinteto de Cordas em Sol Maior, Op. 111 | Joshua Bell (violino), Sayaka Shoji (violino), Julian Rachlin (viola), Kim Kashkashian (viola) e Gary Hoffman (cello)