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Bruckner – Te Deum em Dó Maior
BrucknerTe Deum

Bruckner – Te Deum em Dó Maior

O Te Deum em Dó Maior, de Anton Bruckner (1824-1896), é uma das maiores declarações de fé que conhecemos – um hino de ação de graças do mais profundamente religioso dos compositores.

Certa feita, quando perguntaram a Bruckner como iria saudar a Deus no céu, ele disse simplesmente: “Vou apresentar a Ele o meu Te Deum e Ele me julgará com misericórdia”.

Sua estreia oficial, em janeiro de 1886, regida pelo grande maestro Hans Richter, foi um dos poucos sucessos da vida do compositor austríaco. Até o crítico Eduard Hanslick, um adversário ferrenho de Bruckner, desta vez só pôde reclamar do barulho incessante dos aplausos.

O Te Deum logo se tornou um dos favoritos de Bruckner. Durante sua vida, houve trinta apresentações da obra. Na última, Mahler riscou, em sua cópia da partitura, as palavras “para Coro, Solos e Orquestra e órgão ad libitum” e escreveu “para vozes dos anjos, dos abençoados pelo céu, corações de penitentes e almas purificadas no fogo”.

A abertura é uma frase semelhante à que inicia o Te Deum Marie Therese, de Haydn (1800). Mas o efeito é muito diferente: enquanto o de Haydn avança aos saltos, Bruckner nos apresenta um impressionante bloco de som. Em seguida, alterna tutti maciços, como o do começo, com música mais tranquila, mais reflexiva.

No coração da composição há duas seções intensamente espirituais, cantadas pelo tenor nas palavras Te ergo quaesumus (Dignai-vos, pois, a assistir vossos servos) e Salvum fac populum tuum (Salvai o Vosso povo, Senhor). Em ambas as passagens, o violino acrescenta um sublime contraponto em escalas ascendentes. Estes são os trechos em que, na missa católica, o sacerdote abençoa o pão e o vinho.

Bruckner – Te Deum em Dó Maior | Anna Tomowa-Sintow (soprano), Agnes Baltsa (mezzo soprano), David Rendall (tenor), José Van Dam (baixo-barítono), Coro de Viena e Orquestra Filarmônica de Viena regida por Herbert von Karajan