Obras

O VOLTAR
HaydnMÚSICA DE CÂMARA

Haydn – Quarteto nº 3, Op. 74, “O Cavaleiro”

Haydn serviu durante trinta anos como Kapellmeister (mestre de capela) do Príncipe Nikolaus Esterházy, na Hungria. Quando o príncipe morreu, em 1790, o compositor recebeu uma generosa pensão, podendo muito bem ter se aposentado, depois de uma bela carreira.

Ao invés disso, Haydn, então com 58 anos, encontrou uma nova fonte de energia: descobriu novos públicos e novos modos de expressão ao empreender duas longas visitas a Londres, entre 1791-92 e 1794-95. “Foram os melhores anos de minha vida”, diria ele, mais tarde.

Para as entusiásticas plateias de Londres, Haydn compôs doze sinfonias, seis quartetos e um grande número de outras peças. No final de sua vida, ele havia se tornado o grande ídolo musical da época.

Em Londres, as condições eram diferentes: seus quartetos não eram executados em salões de nobres, mas em uma sala de 800 lugares, assim como suas sinfonias. Desse modo, o compositor os concebe não como música de câmara íntima e sutil, mas como manifestações mais públicas.

As partes do primeiro violino são mais extrovertidas, a escrita mais é mais brilhante e as melodias mais atraentes e fáceis de lembrar. Haydn tentava, então, compor um tipo diferente de quarteto de cordas.

Entre as duas visitas a Londres, ele se recolheu em Viena, escrevendo música para sua segunda viagem. Nesse período, compôs seus seis quartetos Opus 71 e 74.

Quarteto nº 3 em Sol Menor, Op. 74, o último desse conjunto, é o mais popular dos seis. Os ritmos enérgicos, galopantes, do primeiro e do último movimento do Quarteto lhe valeram o apelido de Rider – “O Cavaleiro”.

Merece destaque especial o Largo, considerado por alguns como premonitório de Beethoven. O movimento é em forma ternária e o episódio intermediário, em tom menor, é especialmente expressivo.

Minueto é gracioso, mas o Trio, em Sol menor, é sombrio.

Allegro con brio é um andamento incomum para o final, mas logo torna-se compreensível. É uma peça brilhante, baseada em uma ideia central, cheia de acentos nos tempos fracos e de contrastes dinâmicos. A parte do primeiro violino é especialmente virtuosística.

Haydn - Quarteto nº 3 em Sol Menor, Op. 74 | Abel Quartet