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Haydn – Sonatas para Piano nºs 53 e 59

As Sonatas para Piano de Haydn podem ser divididas em três fases:

  • A primeira compreende as obras da juventude, escritas para seus alunos;
  • A segunda começa no fim da década de 1760 – são obras mais ambiciosas, escritas para amadores talentosos;
  • A terceira, finalmente, começa no período de 1788-89, com sonatas de escala maior, escritas para pianos com mais recursos – são as obras da maturidade.

Vamos ouvir a última sonata da segunda fase, a nº 53, e a nº 59, da terceira fase.

 

Sonata para Piano nº 53 em Mi Menor, Hob. XVI:34

A segunda fase culmina na Sonata em Mi Menor.

Seu magnífico Presto inicial trabalha obsessivamente um tema lacônico, que culminará em um clímax amargo na coda.

Em contraste com o primeiro movimento, que é cheio de trancos e de pausas, o Adagio que se segue é uma peça contínua, sem emendas, que parece ter sido escrito de uma só vez. É simples e tem o caráter de um Arioso. Seu final é surpreendente: um recitativo quase operístico leva a uma pequena cadenza; uma modulação para o menor prepara a transição para o terceiro movimento, que se segue sem interrupção. 

Temos aqui um maravilhoso Vivace molto, innocentemente. Na verdade, sob essa inocência (que também é verdadeira) se esconde uma forma sofisticada de variação dupla: uma canção inocente em Mi menor, seguida de uma melodia semelhante em Mi maior. Essas partes variam alternadamente, resultando na sequência ABA1B1A2.

Haydn – Sonata para Piano nº 53 em Mi Menor, Hob. XVI:34 | András Schiff (piano)

 

Sonata para Piano nº 59 em Mi Bemol Maior, Hob. XVI:49

De uma carta de Haydn a sua amiga e confidente Maria Anna von Genzinger, sobre a Sonata nº 59:

“Esta sonata é inteiramente nova e foi sempre pensada só para a Senhora. […]  O Adagio é um tanto difícil, mas cheio de sentimento.”

Maria Anna gostou muito da Sonata, mas achou o Adagio, de fato, um tanto difícil e pediu a Haydn que simplificasse a passagem em que as mãos se cruzam (no romântico e apaixonado episódio central, em Si bemol menor).

Apesar de seu início um tanto casual, o Allegro inicial é um movimento dramático, cuidadosamente trabalhado, no qual quase tudo se origina a partir do tema principal. No estágio final de desenvolvimento, Haydn toma uma sequência de quatro notas do fim da exposição e cria uma passagem de grande tensão, durante a qual o teclado inteiro do piano é utilizado.

O Minueto final é um alívio de tensão após dois movimentos com tamanha carga emocional. Por uma feliz coincidência, parece que a Sra. Genzinger tinha pedido a Haydn, quando ele havia iniciado a composição da Sonata, que escrevesse um Minueto com Trio para ela. Na carta que lhe escreveu, Haydn diz: “Eis aí (também) o Minueto com Trio que a senhora tinha me pedido”.

Haydn – Sonata para Piano nº 59 em Mi Bemol Maior, Hob. XVI:49 | András Schiff (piano)