Obras

O VOLTAR
Johannes Brahms

Lieder de Brahms

As canções de Brahms, em sua maioria, foram publicadas em conjunto, reunidas pelo número de opus. No entanto, há poucas evidências de que elas tenham sido concebidas como ciclos.

Meses e até anos podiam se passar entre a composição de uma canção e a sua publicação. A primeira coletânea foi publicada em 1853 – Brahms tinha acabado de completar 20 anos; a última, em 1896, poucos meses antes da morte do compositor. Ao longo desse período, Brahms escreveu cerca de 190 canções, reunidas em 33 coletâneas.

Os poemas que Brahms escolhe para suas canções geralmente mostram uma figura solitária, atormentada por um amor inatingível, e que encontra consolo na natureza. Eles evocam sentimentos profundos e íntimos: a dor do amor não correspondido, a solidão da condição humana e a finitude da vida.

Seis Canções, Op. 85

As seis peças do Op. 85 são canções da maturidade de Brahms. Foram escritas entre 1877 e 1879, e publicadas em 1882. As duas primeiras têm letra do poeta Heinrich Heine. Sommerabend (Noite de verão) evoca uma noite à beira de um riacho, enquanto Mondenschein (Luz da lua) fala de um luar que traz paz. De andamento predominantemente lento, sua combinação entre texto e música está entre as mais evocativas de Brahms

 

Sommerabend, Op. 85, nº. 1  

A noite de verão jaz no crepúsculo

Sobre a floresta e os prados verdejantes;

A lua dourada, no céu azul,

Brilha em uma névoa suave.

 

À beira do riacho, o grilo canta

E as águas se agitam,

E o viajante ouve uma ondulação

E uma respiração no silêncio.

 

Lá, sozinha à beira do riacho,

Uma adorável ninfa aquática se banha;

Seus braços e pescoço, brancos e belos,

Brilham ao luar.

 

Mondenschein, Op. 85, nº. 2 

A noite jaz nos caminhos estranhos,

Coração doente e membros cansados, 

Ah, ali, como uma bênção silenciosa,

Doce lua, sua luz desce;

 

Doce lua, com seus raios

você afasta o terror da noite;

Meus tormentos se dissipam,

E meus olhos transbordam.

 

Quatro Canções, Op. 96

Estas canções estão entre as melhores de Brahms. Também compostas sobre poemas de Heine, trazem um tom de resignação e arrependimento. Der Tod das ist die kühle Nacht (A morte é a noite fresca) tem um tratamento conciso, porém profundo. Já Meerfahrt (Viagem marítima) é uma barcarola sombria e lúgubre e de final dissonante, com uma nota aguda e inesperada. 

 

Der Tod das ist die kühle Nacht, Op. 96, nº.1 

A morte é a noite fresca,

A vida é o dia abafado.

Já está escurecendo, estou com sono,

O dia me cansou.

 

Uma árvore se ergue acima da minha cama,

Na qual canta o jovem rouxinol;

Ela canta apenas sobre o amor,

Eu o ouço até nos meus sonhos.

 

Meerfahrt, Op. 96, nº. 4 

Minha querida, nós nos sentamos 

Suavemente no barco leve.

A noite estava calma e vagávamos

Por um amplo canal.

 

A bela ilha fantasma,

Jazia vagamente ao luar;

Lá, doces tons soavam,

E a névoa dançante rodopiava.

 

Os sons ficavam cada vez mais doces,

A névoa rodopiava para um lado e para o outro;

Nós, porém, passamos à deriva,

Desolados no mar amplo.

 

Brahms – Sommerabend, Op. 85, nº. 1; Mondenschein, Op. 85, nº. 2; Meerfahrt, Op. 96, nº. 4; Der Tod das ist die kühle Nacht, Op. 96, nº.1 | Ian Bostridge (tenor) e Saskia Giorgini (piano)

 

 

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