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MahlerMÚSICA ORQUESTRAL

Mahler – Sinfonia nº 1

Como muitos autores românticos, Mahler escrevia sobre si mesmo. Logo, suas sinfonias são em certa medida autobiográficas.

Suas primeiras obras sinfônicas contam com um protagonista, um “herói sinfônico, como Mahler o chama. A música acompanha suas experiências ao longo da vida e os desafios que ele tem que enfrentar.

O compositor chamou sua primeira sinfonia (1888) de Titã, um poema tonal em forma sinfônica. O nome é proveniente de um romance de Jean Paul, muito popular na época. Para as primeiras execuções, ele desenvolveu um programa descritivo.

O primeiro movimento representa a “primavera, o despertar da natureza na aurora”.

No Scherzo que se segue, “o herói parte com as velas enfunadas”.

No terceiro movimento, o herói “naufragou e agora segue o funeral de um caçador”.

O Final descreve sua jornada “dall’ Inferno al Paradiso” (Do Inferno ao Paraíso).

Posteriormente, Mahler abandonou títulos e descrições. De 1894 em diante, passou a chamar a obra simplesmente de Sinfonia em Ré Maior (nº 1): “Acho que o programa não caracteriza bem a obra… Aprendi com a experiência que o público pode ser levado a interpretá-lo erroneamente”. 

Na verdade, não nos devemos deixar levar por este conceito de “sinfonia como história”, diz um crítico, “porque Mahler não pensava em termos de episódios que se sucedem em um enredo, mas sim em estados emocionais que se desenvolvem musicalmente”. 

O segundo movimento, Scherzo, marcado como Kräftig bewegt, doch nicht zu schnell (Agitado, mas não muito depressa), contrasta duas danças relacionadas: o Ländler, rústico e ingênuo, dançado de tamancos e, no episódio intermediário, o Trio, a Valsa, sua descendente, urbana, sofisticada, elegante.

 

Mahler – Sinfonia nº 1 em Ré Maior | Filarmônica de Berlim regida por Claudio Abbado