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Bodas de Figaro - Mozart
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Mozart – As Bodas de Fígaro, K. 492

O ano de 1786 é também, e principalmente, o ano d’As Bodas de Fígaro. Mozart estava empolgado com a ópera, a primeira de três colaborações com o libretista Lorenzo da Ponte, que iria trazer fluidez, realismo e profundidade ao gênero.

A intensidade da energia criativa gerada pelas Bodas de Fígaro iria transbordar nos concertos que Mozart escreveria em seguida. Cada um deles estava imbuído num diálogo mais fluido entre solista e orquestra. O primeiro, com o estilo rápido e mutável de uma conversa. O outro, escrito pouco depois, de clima mais sombrio e concentrado.

A ópera

As Bodas de Fígaro, K 492, é uma ópera buffa (ópera cômica), considerada o apogeu do gênero.

Brahms não poupa elogios à obra: “Cada número do Fígaro é um milagre; está totalmente além da minha compreensão que alguém pudesse criar algo tão perfeito; nada assim foi feito novamente, nem mesmo por Beethoven”.

O libreto, de Lorenzo da Ponte, baseado na comédia homônima de Beaumarchais, conta a história de como os servos Fígaro e Susanna conseguem se casar, a despeito das tentativas de seu empregador, o Conde Almaviva, de invocar o antigo direito segundo o qual o senhor teria a primeira noite de sua serva quando esta se casasse.

O enredo é complexo e cheio de quiproquós. É difícil descrever o que se passa. Um resumo imperfeito: a condessa, Fígaro e sua noiva Susanna, usando de artimanhas, conseguem desmascarar as intenções do conde, que lhes pede perdão.

Uma de suas características mais importantes é a música escrita para conjuntos de solistas cantando ao mesmo tempo. O Final do 2º Ato é célebre por isto – no fim, há sete cantores interpretando, cada um, partes diferentes. Walter Legge, famoso produtor musical, comenta sobre este final:

“Musicalmente este é o mais magistral conjunto (ensemble), não somente desta ópera, mas em toda a obra de Mozart. Por cerca de vinte minutos, a música flui sem interrupções, respondendo a cada volta e turno da comédia, que se move complicada e rápida, iluminando, refletindo, comentando a ação e as emoções muito diferentes dos participantes. Passo a passo com a ação, a música intensifica as surpresas, acrescenta matizes às sutilezas e cobre a intriga, um tanto sórdida da peça, com um manto da mais encantadora música que, embora sempre fiel ao incidente, transmuta-o no mais puro ouro de beleza.”

Vamos assistir a esse trecho da ópera, registrado no DVD histórico de 1976, com Dietrich Fischer-Dieskau (Conde), Kiri te Kanawa (Condessa), Hermann Prey (Figaro) e Mirella Freni (Susanna), a Orquestra Filarmônica de Viena regida por Karl Böhm, e direção de cena de Jean Pierre Ponelle:

E, aqui, a montagem completa, em dois vídeos:

Parte 1

Parte 2