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Mozart - Serenata em Dó Menor, K. 388
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Mozart – Serenata em Dó Menor, K. 388

Nada se sabe das circunstâncias da composição da Serenata em Dó Menor, K. 388. Nada sabemos sobre a ocasião, nem sobre quem poderia tê-la encomendado. Como afirma o musicólogo Alfred Einstein, não sabemos se este cliente desejava uma serenata tão explosiva, ou se ela simplesmente jorrou assim da alma de Mozart.

Isto porque ela é em Dó menor, tonalidade rara nas obras de Mozart. Tem uma atmosfera sombria, apaixonada e dramática. É, assim, radicalmente diferente das outras peças compostas para execução ao ar livre em ocasiões festivas, por Mozart ou por qualquer outro compositor.

Escrita para instrumentos de sopro – dois oboés, dois clarinetes, duas trompas e dois fagotes –, na verdade, a Serenata K. 388 transcende o gênero de música social; tanto que Mozart fez uma transcrição da Serenata para quinteto de cordas.

A meu ver, a melhor explicação que se pode dar para esta e outras obras enigmáticas em tom menor de Mozart é que são trabalhos pessoais escritos mais por uma necessidade interior do que por uma demanda externa.

A composição é dividida em quatro movimentos: primeiro tem todo o drama e a veemência do Dó menor em Mozart. A mesma tonalidade menor é usada no terceiro movimento, um minueto em cânone, e no quarto, um tema com variações.

O segundo movimento, Andante, em Mi bemol, e o miraculoso trio em cânone al rovescio (ao contrário, usando inversão) do Minueto dão a compensação e o alívio da tonalidade maior.

Mozart – Serenata em Dó Menor, K. 388 | Omega Ensemble