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O VOLTAR
Mozart - Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra, K.364
MozartO Melhor de Mozart

Mozart – Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra, K.364

A sinfonia concertante é a sucessora, no período clássico, do concerto grosso barroco. Os grupos de solistas podem conter dois, três, quatro ou até mais instrumentos da orquestra. Na época de Mozart, esse formato estava em moda na França.

Durante sua estadia em Paris, em 1778, Mozart recebeu duas encomendas: uma foi a do Concerto para Flauta e Harpa, e a outra, feita pelo diretor dos importantes Concertos Espirituais, a de uma sinfonia concertante para quatro instrumentos de sopro e orquestra.

Voltando a Salzburgo, Mozart compõe, no verão de 1779, sua celebrada Sinfonia Concertante para Violino e Viola. Não se sabe para quem foi escrita – talvez para seu pai como solista de violino e o próprio Mozart na viola, instrumento de que gostava muito.

Robert Gutman, biógrafo de Mozart, fala de sua fascinante beleza e a coloca entre “as supremas obras-primas da música”.

A peça é orquestrada para cordas, com pares de oboés e trompas para apoiar e interagir com os solistas. Um recurso intrigante utilizado na parte da viola é o da scordatura: a parte é escrita em Ré, com instruções para que o instrumento seja afinado em Mi bemol, talvez um pouquinho mais alto, para que possa se destacar das demais violas da orquestra.

O primeiro movimento, Allegro Maestoso, é construído em grande escala e com uma maravilhosa profusão de ideias melódicas.

O Andante, em Dó menor, também de sublime inspiração melódica, é um pungente diálogo entre os dois solistas, com premonições do profundo movimento lento do trágico Quinteto em Sol Menor.

O Presto final remete à antiga tradição grega de seguir uma tragédia com uma comédia ou uma sátira: é em tempo di contraddanza, alto astral, malicioso e espirituoso. Os sopros são usados com grande maestria, com destaque especial para as trompas.

Mozart – Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra em Mi bemol maior, K.364 | Wolfram Brandi (violino), Yulia Devneka (viola) | Orquestra Staatskapelle Berlim, Daniel Barenboim (regente).