Obras

O VOLTAR
Mozart Trio K 498
MozartMÚSICA DE CÂMARA

Mozart – Trio para Clarineta, Viola e Piano K 498

Nenhum instrumento moderno deve mais à imaginação de um músico do que a clarineta a Mozart. Desde 1780, época em que compôs a ópera Idomeneo, a clarineta se tornou parte de sua orquestra. Mas, sobretudo, Mozart compôs três obras nas quais a clarineta tem especial destaque: o Trio K 498, sobre o qual falaremos aqui, o Quinteto K. 581 e o Concerto K. 622.

As obras para clarineta de Mozart foram escritas para seu amigo, o clarinetista Anton Stadler, e são peças que exploram os registros alto e baixo do instrumento e lhes dá uma real personalidade.

O Trio K. 498 foi escrito para Franziska Jacquin que, nas execuções caseiras, tocava a parte do piano, enquanto Stadler tocava a clarineta e Mozart, a viola, que era seu instrumento favorito em música de câmara.

Há algumas surpresas nesta obra. O primeiro movimento não é o esperado Allegro, mas um Andante.

O Minueto tem uma forma nada comum: ele em si é normal, digamos, só que quase não retorna. Isto porque o trio que se segue ganha vida própria. Mozart deve ter ficado fascinado com as possibilidades do tema do trio e o desenvolve bastante e com grande poder expressivo.

A clarineta apresenta o tema do Rondó final. A música “voa” para a conclusão de uma das melhores e menos conhecidas obras de câmara de Mozart.

Existe uma velha história de que Mozart compôs o Trio enquanto jogava boliche, daí o nome Kegelstatt. Não há fundamento para esta história. Ela se aplicaria, sim, aos Duetos para Trompas, K. 487, compostos uma semana mais cedo. Nesse caso, Mozart realmente escreveu no manuscrito “untern Kegelscheiben” (enquanto jogava boliche).

Mozart – Trio para Clarineta, Viola e Piano em Mi Bemol Maior, K. 498 | Martin Fröst (clarineta), Roland Pöntinen (piano), Maxim Rysanov (viola)