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Ravel - Tombeau de Couperin
Música FrancesaRavel

Ravel – Le Tombeau de Couperin

A tradução literal de Tombeau é túmulo. Existe, no entanto, uma antiga tradição na França segundo a qual Tombeau é um tributo musical a um compositor falecido.

Quando começou a escrever suíte para piano Le Tombeau de Couperin, em 1914, Maurice Ravel tinha a intenção de homenagear o compositor François Couperin, Le Grand (1668- 1733), um dos fundadores da chamada escola de cravo francesa.

Ravel era muito baixo e franzino (1,60 m e 48 kg) e tinha sido dispensado do serviço militar. Entretanto, com o início da Primeira Grande Guerra em 1914, Ravel, então com 39 anos, conseguiu se alistar como motorista de caminhão. Ele chamava seu caminhão de Adelaide e assinava suas cartas como “Chauffeur Ravel”. Durante esse período, interrompeu seu trabalho no Tombeau.

Ao longo da guerra sua saúde foi se deteriorando rapidamente. Sua carga de trabalho era exaustiva. Ravel tinha problemas cardíacos e, quando contraiu disenteria, teve de ser hospitalizado. Houve ainda outras complicações e somente em 1917, quando ele teve alta do hospital militar, pôde voltar à composição.

A experiência da guerra e a perda de muitos amigos o tinha afetado bastante. O Tombeau continuou sendo de Couperin, mas agora cada um dos movimentos foi dedicado pelo compositor a um de seus amigos mortos na guerra:

  1. Prélude– dedicada ao amigo e colaborador Jacques Charlot;
  2. Fugue– dedicada ao amigo Jean Crouppi;
  3. Forlane– dedicada ao amigo Gabriel Deluc;
  4. Rigaudon– dedicada aos irmãos e amigos Pierre e Pascal Gaudin;
  5. Menuet– dedicada ao amigo Jean Dreyfus;
  6. Toccata– dedicada ao amigo Joseph de Marliave.

Mais tarde, em 1920, Ravel orquestrou quatro movimentos da obra. Na verdade, Ravel, um dos maiores orquestradores da história, “recompôs” cada peça em termos orquestrais.

Ravel – Le Tombeau de Couperin: I. Prélude – Vif ; II. Forlane – Allegretto; III. Menuet – Allegro moderato; IV. Rigaudon – Assez vif | Frankfurt Radio Symphony sob a regência de Jaime Martín