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Schubert - Gretchen am Spinnrade (Gretchen à roca de fiar)
Música & PoesiaSchubert

Schubert – Gretchen am Spinnrade (Gretchen à roca de fiar)

Escrever sobre Gretchen am Spinnrade, de Schubert, é algo difícil, talvez pelo tanto que já se fez e pela posição que ocupa na história da música.

Em 19 de outubro de 1814, um jovem de 17 anos escreveu uma obra que pôs a canção de arte alemã, o Lied, no mapa. O pianista Graham Johnson, que escreveu um livro em três alentados volumes sobre as canções de Schubert, afirma: “Em 19 de outubro, algo de extraordinário aconteceu. Há uma sensação clara de que Schubert foi possuído pelo drama e pela história que acabou de ler”.

A história vem do Fausto de Goethe. Fausto vende sua alma ao diabo em troca de uma vida em que todos os seus desejos serão atendidos. Entre eles está Gretchen, uma bela e ingênua jovem. Ele a seduz e depois a abandona.

Na canção, Gretchen está à sua roca de fiar e canta: “Nunca mais encontrarei paz. Quando ele não está comigo, a vida é como um túmulo, o mundo inteiro é amargo”. Estes sentimentos explodem, quando, mais adiante, a roca para subitamente e ela grita, com intensidade operística: “E, ah, seu beijo!”. A custo, lentamente, ela volta à sua roca, a seu desespero.

“O que é mais incrível”, diz Graham Johnson, “é que um jovem de 17 anos tenha conseguido, de alguma maneira, penetrar na psique feminina com tal profundidade, como se ele próprio tivesse experimentado estes sentimentos”.

O poder expressivo da música provém, em grande parte, do moto continuo da mão direita do piano, que evoca, ao mesmo tempo, o movimento da roca e o desespero, o caminho sem saída de Gretchen.

SchubertGretchen am Spinnrade (Gretchen à roca de fiar) | Carolyn Sampson (soprano) e Joseph Middleton (piano)