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Schumann – Dichterliebe (Amores de Poeta), Op. 48 | Parte 1
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Schumann – Dichterliebe (Amores de Poeta), Op. 48 | Parte 1

Heinrich Heine (1797-1856) pode ser considerado o último poeta romântico alemão. Ao conhecer a obra do escritor, o compositor Robert Schumann se encantou, transformando-a em magníficos lieder românticos. 

Em 1827, Heine publicou o Buch der Lieder (Livro de Canções), que deu origem à sua fama como poeta. A seção Lyrisches Intermezzo (Intermezzo Lírico) é a que possui a maior intensidade de sentimento. Heine relata nesses poemas a história do amor infeliz por sua prima Amalie.

O tema lembrou a Schumann o período da separação de sua amada Clara, entre 1835-36, imposto pelo pai dela, e o grande sofrimento pelo qual passou. É do Lyrisches Intermezzo que ele extrai a maioria dos poemas que musicou treze anos depois, em 1840. 

Para o ciclo Dichterliebe (Amores de poeta), Op. 48, Schumann selecionou 16 poemas e os reordenou de modo a criar uma narrativa evocando um vasto espectro de emoções, do otimismo sonhador ao desespero e à melancolia:

– o nascimento do amor, no maravilhoso mês de maio: Lieder de 1 a 4;

– a separação de sua amada: Lieder 5 e 6;

– a traição – ela se casa com outro homem: Lieder de 7 a 12;

– o refúgio no mundo dos sonhos, única chance de reencontro e única via de acesso a um país encantado (Zauberland) e a um mundo de felicidade (Land der Wonne): Lieder de 13 a 15; 

– o último Lied é o do enterro em um grande caixão, onde são colocadas as antigas canções malignas e os sonhos maus.

Ouça as seis primeiras canções do ciclo na interpretação de Hermann Prey (tenor) e Leonard Hokanson (piano):

Leia a seguir breves comentários sobre as canções e trechos dos poemas:

Nº. 1 Im wunderschönen Monat Mai (No maravilhoso mês de maio)

A canção se inicia e termina com um discord em tom menor. Schumann fala de um tempo que passou:

No maravilhoso mês de maio,

Quando todos os botões desabrocharam,

Foi então que em meu coração

O amor começou a florescer.

 

Nº. 2 – Aus meinen Tränen sprießen (Das minhas lágrimas brotam)

Das minhas lágrimas brotam

Muitas flores desabrochando,

E meus suspiros se tornam

Um coro de rouxinóis.

 

Nº. 3 – Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne (Rosa, lírio, pomba, sol)

Breve, fugidia, cantada a meia voz, apenas nos envolvemos em seu jogo melódico, e a canção desaparece.

Rosa, lírio, pomba, sol,

Eu os amei a todos um dia, na felicidade do amor.

 

Nº. 4 – Wenn ich in deine Augen seh’ (Quando olho nos seus olhos)

Schumann ignora o veneno do último verso, em que Heine nos revela sua descrença no amor de Amalie.

Quando repouso a minha cabeça no teu peito,

Uma felicidade celestial me invade;

Mas quando dizes: Eu te amo!

Sou obrigado a chorar lágrimas amargas.

 

Nº. 5 – Ich will meine Seele tauchen (Quero mergulhar minha alma)

Mais uma vez, a felicidade do passado é vista através das lágrimas do presente. O poslúdio é todo lamento.

Quero mergulhar minha alma

No cálice do lírio;

O lírio ressoará

Com uma canção da minha amada.

 

Nº. 6 – Im Rhein, im heiligen Strome (No Reno, o rio sagrado)

O começo é uma maravilhosa evocação do Reno e da catedral de Colônia nele refletida. Depois, a música entra na igreja – sonoridades de órgão e a dolorosa contemplação da pintura de Nossa Senhora. Volta então a imagem da catedral refletida no rio que desaparece ao longe, nas notas do poslúdio.

Flores e querubins pairam

Ao redor de Nossa Senhora Amada;

Seus olhos, seus lábios, suas faces

São a imagem do meu amor.

 

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