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Schumann – Concerto para Piano e Orquestra em Lá Menor, Op. 54

Até 1840, Robert Schumann compôs quase que exclusivamente para o piano. Sua futura esposa, Clara Wieck, escreveu em seu diário, em 1839: “Meu maior desejo é que Robert componha para orquestra. Sua imaginação não pode ficar limitada ao piano… O escopo de suas composições é sempre orquestral”.

Mas foi só em 1841, um ano depois de seu casamento, que Clara conseguiu convencê-lo a tentar o gênero sinfônico. Data desse ano sua Sinfonia nº 1 em Si Bemol Maior, Op. 38, conhecida como “Primavera”. Veio depois uma Fantasia para Piano e Orquestra, composta para Clara, uma das maiores pianistas de seu tempo. Schumann resolveu depois acrescentar-lhe dois movimentos, criando assim seu Concerto para Piano e Orquestra, o único que compôs.

O Concerto segue a estrutura dos de Mozart e Beethoven, mas inova em vários aspectos. O mais notável é que se afasta do modelo da época, usado para exibir o virtuosismo do pianista.

Schumann tinha, aliás, escrito anos antes, em uma crítica à prática vigente: “E assim, devemos esperar o gênio que nos vai mostrar, de uma nova e brilhante maneira, como orquestra e piano podem ser combinados e como o solista pode mostrar toda a riqueza de seu instrumento e de sua arte, enquanto a orquestra, não mais apenas uma espectadora, pode entrelaçar suas diferentes facetas à cena”.

Foi ele mesmo quem realizou esse novo modelo. A crítica que Liszt fez à obra é reveladora: “É um concerto sem piano!”.

Schumann – Concerto para Piano e Orquestra em Lá Menor, Op. 54 | Martha Argerich (piano), Gewandhaus Orchestra, com Riccardo Chailly (regente)