Obras

O VOLTAR
Strauss – Till Eulenspiegel
Poema SinfônicoStrauss

Strauss – Till Eulenspiegel

Till Eulenspiegel é um dos mais populares personagens do folclore alemão. Ele poderia ser comparado a Pedro Malasartes, cuja descrição coincide totalmente com a de Till (segundo Câmara Cascudo, “Pedro Malasartes é figura tradicional nos contos populares da Península Ibérica, como exemplo de burlão invencível, astucioso, cínico, inesgotável de expedientes e de enganos, sem escrúpulos e sem remorsos”).

A fama de Till Eulenspiegel se tornou internacional em boa parte devido ao retrato musical do personagem criado por Richard Strauss (1864-1949) em seu poema sinfônico. Completado em 1895, a obra se diferencia de outras do compositor por sua brevidade, humor e falta de um programa detalhado.

Sobre este último item, o Strauss escreveu: “É impossível para mim fornecer um programa para Till Eulenspiegel; se eu fosse pôr em palavras os pensamentos que os diversos incidentes me sugerem, isto seria insuficiente para o ouvinte e poderiam até ofendê-lo”. Ele disse apenas que a última “cena” da obra representa a captura de Till, seu julgamento e enforcamento.

Till Eulenspiegel começa com cinco suaves compassos introdutórios. Imediatamente, uma trompa se intromete e apresenta o primeiro de dois temas relativos ao personagem. O segundo, um tema matreiro anunciado pela clarineta solo, surge logo em seguida.

Estes dois temas aparecem repetidamente em uma variedade de disfarces durante os episódios que se seguem, sugerindo aventuras de Till.

Subitamente, soa um sinistro rufar de tímpanos. Acordes ameaçadores anunciam acusações a Till. Ele as responde com um motivo insolente na clarineta. Till é enforcado.

Em seguida, a música suave do prólogo retorna, como que para assegurar-nos de que tudo isto não passou de uma história.

Mas Till pode ainda ter uma última vitória: os momentos finais sugerem que seu espírito está livre, leve e solto no universo.

Richard Strauss – Till Eulenspiegel, Op. 28 | Orquestra Sinfônica da Rádio da Bavária, Lorin Maazel (regente)