Obras

O VOLTAR
Tchaikovsky – Serenata para Cordas, Op. 48
MÚSICA ORQUESTRALTchaikovsky

Tchaikovsky – Serenata para Cordas, Op. 48

No outono de 1880, Tchaikovsky começou a trabalhar em duas obras simultaneamente: a Serenata para Cordas, Op. 48, e a Abertura 1812. O compositor amava a primeira, mas não a segunda.

Ele escreveu à sua patronesse, Nadezhda von Meck: “A Abertura vai ser espetacular e barulhenta, mas não vai ter valor artístico porque eu a escrevi sem calor, sem amor. Mas, pelo contrário, a Serenata eu a escrevi por um impulso interior. Esta é uma peça que vem do coração”.

E mais adiante: “Eu me apaixonei perdidamente pela Serenata, mal posso esperar para vê-la executada”.

A composição foi estreada em São Petersburgo, em 1881, e foi um sucesso imediato.

ESTRUTURA

A Serenata é dividida em quatro movimentos:

I. Pezzo in forma di sonatina
II. Valse
III. Élégie
IV. Finale (Tema russo)

Mozart era um dos ídolos de Tchaikovsky e a Serenata foi inspirada nas de Mozart. Não é, todavia, uma peça clássica – é tão romântica quanto as outras obras de Tchaikovsky –, mas ele a pretendia clássica na forma e no espírito.

Isto é particularmente verdade do primeiro movimento, Pezzo in forma di Sonatina. Este começa com um empolgante Andante, com a indicação sempre marcatissimo, cheio de cordas duplas (duas cordas tocadas simultaneamente) nos violinos e nas violas, formando grandes estruturas de acordes. Esta introdução é repetida no fim do movimento. A Sonatina do título começa no Allegro Moderato que se segue, que apresenta uma forma sonata concisa.

“O primeiro movimento é minha homenagem a Mozart”, escreveu Tchaikovsky, “e eu ficaria muito feliz se se tivesse, de alguma forma, me aproximado de meu modelo”.

O segundo movimento é uma das mais graciosas das muitas valsas de Tchaikovsky, especialmente quando a melodia passa às partes mais graves e os violinos tecem sobre ela um bordado quase como o de um balé.

A Élégie, suavemente dissonante, é muito bela. O ouvido de Tchaikovsky para as sonoridades das cordas é realmente especial.

O Finale é marcado como Tema Russo e, tanto a melancolia da melodia do violino na introdução (uma canção dos barqueiros do Volga), como o primeiro tema, dançante, do Allegro con Spirito, são de inspiração folclórica.

Tchaikovsky – Serenata para Cordas, Op. 48 | Orquestra Saito Kinen, Seiji Ozawa (regente)

Nota: Comparei várias interpretações da Serenata e esta, de Seiji Ozawa com uma orquestra japonesa, pareceu-me a mais próxima à “peça do coração” de que fala Tchaikovsky, na citação inicial.