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Beethoven - Quarteto de Cordas Op. 18
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Beethoven – Quarteto de Cordas Op. 18 no 5

Beethoven gostava muito do Quarteto K. 464 de Mozart, tanto que chegou a copiar dois de seus movimentos para melhor estudá-los.
Czerny, aluno de Beethoven, lembra a observação que o compositor fez a propósito da obra: “Uma vez Beethoven viu em minha casa as partituras dos seis Quartetos dedicados a Haydn por Mozart. Ele abriu o no 5 em Lá e disse: ‘Ah, isto é que eu chamo uma obra! Nela, Mozart estava dizendo ao mundo: Olhem o que eu poderia fazer se vocês estivessem preparados!’”.

Beethoven usou o Quarteto K. 464 como modelo para seu Quarteto Op 18 no 5. As semelhanças são muitas: ambos são em Lá maior; a ordem dos movimentos é a mesma, com um Minueto em segundo lugar.A estrutura também se repete: o primeiro e o último movimentos são em forma sonata, sendo que o movimento lento é um tema com variações, baseado em uma melodia simples, cantabile, como o de Mozart.

Mas as parecenças não acabam aqui, se estendem a alguns aspectos temáticos e ainda outros. Plágio?… Não, a obra é de Beethoven desde o início. Homenagem e admiração, com certeza.

O Allegro inicial tem um formato clássico, o fraseado é elegante, mas a impressão que temos é que Beethoven se sente incômodo dentro desta vestimenta galante. Seu vigor, seu drive, vão em breve estourar esta roupa, como veremos mais adiante.
O Minueto (não um Scherzo) é de uma elegância mozartiana, embora com excursões abruptas a Dó sustenido menor, das quais a música volta a cada vez como se nada tivesse acontecido.
O Trio, com seus sforzandos acentuando o terceiro tempo, é um Ländler pesado e rústico, como Beethoven gosta e trabalha como ninguém.
À margem dos esboços para o Andante Cantabile, Beethoven anotou: “Pastoral”. Esta melodia tranquila, que lembra uma canção, dá origem a uma série de cinco variações. A quarta é polifônica e introspectiva. Aí, irrompe a vibrante quinta variação, que, pela força de seu impulso e o calor de seus trinados, abre, como diz a musicóloga francesa Brigitte Massin, “perspectivas sobre o futuro da linguagem de Beethoven”.

Beethoven – Quarteto de Cordas em Lá maior, Op. 18 no 5 | Quarteto Alban Berg

 

 

 

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