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Beethoven - Quarteto em Mi Menor, Op. 59 nº 2, Razumovsky nº 2
BeethovenMÚSICA DE CÂMARA

Beethoven – Quarteto em Mi Menor, Op. 59 nº 2, Razumovsky nº 2

Comparado com os espaços amplos e claros do Quarteto Razumovsky nº 1 em Fá maior, o Razumovsky nº 2 em Mi menor é evasivo e misterioso.

O primeiro movimento, Allegro, começa com dois acordes staccato seguidos por uma figura interrogativa e por uma pausa – um daqueles célebres silêncios cheios de sentido de Beethoven. Joseph Kerman comenta o estranho clima deste início, que é, de certa maneira, o da obra como um todo: “A música é mais brusca do que violenta, tem mais tensão do que raiva, mais hipersensibilidade do que dor real”.

O Molto Adagio, segundo movimento, é em tom maior, tranquilo, contemplativo. Prenuncia obras como o Benedictus da Missa Solene e a celestial variação central do movimento lento do Quarteto Op. 127 (também em Mi maior). Beethoven escreveu no alto da partitura: “Si tratta questo pezzo con molto de sentimento” (Esta peça deve ser tocada com muito sentimento).

No terceiro movimento, Allegreto – Trio – Tema russo, Beethoven nos dá um Allegretto dinâmico e urgente no lugar do Scherzo usual. Não se sabe o que o Conde Razumovsky terá pensado da “brincadeira” que Beethoven faz no Trio. O conde tinha pedido a Beethoven que incluísse um tema russo nos quartetos que lhe encomendara: o compositor usa aqui o tema do hino patriótico russo Slava (Glória). O hino é sério, solene, mas Beethoven o “maltrata”, submetendo-o a um contraponto áspero e dissonante que soa “errado”. Este tema seria usado depois por vários compositores russos, entre os quais Mussorgsky, na cena da coroação de sua ópera Boris Godunov.

O Presto final começa na tonalidade “errada” de Dó maior, antes de passar à tônica – Mi menor, com um quê da melancolia do primeiro movimento.

Beethoven – Quarteto nº 8 em Mi Menor, Op. 59 nº 2, Razumovsky nº 2 | Quarteto Alban Berg