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Johannes Brahms - Peças para Piano Opus 116 a 119
Brahms: Mestre do Piano

Brahms – Peças para Piano Opus 116 a 119

Em 1890, depois de publicar seu Quinteto para Cordas Op. 111, Brahms confidenciou a seu editor que estava talvez velho demais para continuar. De fato, já havia alguns anos, Brahms considerava seu trabalho como compositor como encerrado. Mas em 1891, ele conheceu o clarinetista Richard Mühlfeld, fato que o inspirou a compor, entre outras obras, seu Quinteto para Clarineta e Cordas Op. 115. 

Depois, em 1892, começou a trabalhar nas vinte Peças para Piano, que dividiu em quatro coleções: os Opus 116 a 119. Estas estão entre suas melhores obras. Sobre elas, diz o crítico Michael Steinberg: “Aqui, nestas últimas meditações de um mestre do piano, que tinha descoberto como dizer muita coisa com o mais econômico dos gestos, encontramos a essência de Brahms”.

Fantasias, Op. 116, é um título curioso para a coleção formada por três capriccios e quatro intermezzos. Capriccio indica uma peça agitada e Intermezzo, uma peça mais serena. Andante con grazia ed intimissimo sentimento é o título evocativo do Intermezzo nº 5.

Aos três Intermezzos do Op. 117 Brahms se referiu como as “canções de ninar da minha dor”. Os três são semelhantes em andamento e clima. A segunda peça é mais agitada, mas a seção central, que muda para tom maior, é consoladora.

As peças do Op. 118, compostas em 1893 (Brahms tinha 60 anos), são obras outonais. Foram enviadas, juntamente com as do Op. 119, como presentes a Clara Schumann. Merece especial destaque o Intermezzo final, Andante largo e mesto (Andante lento e triste). Um tema sombrio evoca o antigo hino Dies irae (Dia da ira, Dia do Juízo Final). A melodia é apresentada sem acompanhamento, marcada como sotto voce. O clima angustiado, fúnebre, da música é mantido, sem trégua, até o fim.

Os últimos trabalhos de Brahms para piano são as quatro peças do Op. 119. Aqui o clima muda. “Estes trabalhos”, diz um crítico, “devem ser saboreados pela maestria da técnica de composição de Brahms e pelo sentimento e charme vienenses que os animam”. O Intermezzo nº 3 é cheio de humor, com sua melodia dançante e suas cascatas de arpejos.

Brahms – Intermezzos dos Opus 116, 117, 118 e 119:

Intermezzo Op. 116 nº 5 | Emil Gilels (piano)

Intermezzo Op. 117 nº 2 | Grigory Sokolov (piano)

Intermezzo Op. 118 nº 6 | Nikolai Lugansky (piano)

Intermezzo Op. 119 nº 3 | Richard Goode (piano)