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Clara Schumann, 200 anos

Figura central na história da música romântica alemã, Clara Schumann (1819-1896), cujo bicentenário de nascimento foi celebrado no dia 13 de setembro de 2019, foi uma grande pianista (sua carreira durou 61 anos), além de professora que deixou seguidores.

Musa e mentora dos compositores Robert Schumann (1810-1856), com quem se casou, e Johannes Brahms (1833-1897), Clara foi uma das primeiras mulheres a se destacar como concertista e compositora no século XIX, influenciando vários artistas de sua época.

Robert Schumann morreu relativamente cedo, aos 46 anos. A relação de Clara com Brahms continuou até a morte da pianista. Os dois moravam em cidades diferentes, mas mantiveram uma correspondência, publicada mais tarde com o título de Cartas de Clara Schumann e Johannes Brahms (1853-1896).

Dedicatória

Em setembro de 1840, Schumann e Clara finalmente se casam, vencendo, ao cabo de cinco anos, a oposição ferrenha que Friedrich Wieck, pai de Clara e ex-professor de piano de Robert, fazia à união dos dois.

Na véspera do casamento, Schumann dá à sua noiva, em esplêndida encadernação, o ciclo de canções Myrthen (Mirtos). As vinte e seis canções que o integram (tantas quanto as letras do alfabeto) são um diário das alegrias e das tristezas do compositor, nos anos de sua ansiosa espera.

A primeira canção do ciclo, Widmung (Dedicatória), um arroubo de paixão, é uma das mais belas e se tornou bastante conhecida:

“Tu minha alma, meu coração,
Tu meu encanto, minha dor,
Tu, mundo em que vivo,
Céu que almejo,
Túmulo a que confiei
Para sempre meus sofrimentos,
Minha boa estrela,
Minha metade melhor.”

(em tradução livre)

Schumann – Widmung, Opus 25, nº1 | Herman Prey, Barítono | Leonard Hokanson, piano

 

Clara Schumann em disco

A jovem pianista britânica Isata Kanneh-Mason, 23 anos, com uma carreira internacional em ascensão, fez sua estreia em disco no mês de julho de 2019 com um álbum dedicado às composições de Clara Schumann.

Romance: The Piano Music of Clara Schumann (Decca Classics) recebeu muitos elogios da crítica. A revista Gramophone, por exemplo, o escolheu como o destaque de sua edição de agosto de 2019, chamando-o de “um dos mais encantadores debuts”. Já a BBC Music Magazine (setembro/ 2019) afirma: “Kanneh-Mason faz com que as melodias cantem lindamente e as passagens virtuosísticas dancem”.

O destaque do CD é o Concerto para Piano em Lá Menor, Op. 7, com a pianista à frente da Royal Liverpool Philharmonic Orchestra, regida por Holly Mathieson. Sobre sua interpretação, o jornal The Observer ressalta: “Kanneh-Mason traz uma energia e um entusiasmo reais, tanto ao allegro da abertura quanto ao finale do Concerto”.

Assista ao vídeo em que Isata Kanneh-Mason visita a casa de Clara Schumann, em Leipzig, na Alemanha:

Informações:

https://www.prestomusic.com/classical/articles/2739–recording-of-the-week-isata-kanneh-mason-plays-clara-schumann

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