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Brahms Variações sobre um Tema de Haydn
BrahmsMÚSICA ORQUESTRAL

Brahms – Variações sobre um Tema de Haydn

Brahms, como sabemos, demorou muito a encontrar seu caminho no domínio orquestral: suas Variações sobre um Tema de Haydn foram escritas em 1873, quando ele estava com 40 anos. Fazia 15 anos que ele não compunha uma peça puramente orquestral (as serenatas Opus 11 e  Opus 16). Sua Sinfonia nº 1, um projeto de 20 anos, só seria concluída em 1876.

O tema das Variações – o chamado “Coral Santo Antônio” – não é de Haydn, como se supunha na época, mas talvez de seu discípulo Pleyel. O mais provável, porém, é que seja uma melodia popular religiosa, usada em procissões na festa de Santo Antônio de Pádua.

É uma melodia camponesa, robusta e assimétrica, que fascinou Brahms. Sobre esta, ele compôs oito variações e um final, que merece ser destacado. Ele é construído na forma de uma passacaglia sobre um baixo ostinato recorrente de cinco compassos. O fragmento é repetido muitas vezes nas cordas graves e migra depois para os instrumentos mais altos. A imaginação de Brahms alça voo sobre esse baixo severo. O tema do coral brinca de esconder, até irromper nas cordas em triunfal apoteose.

Além da versão orquestral das Variações, há também uma versão para dois pianos, feita para Clara Schumann. Vamos ouvi-la na interpretação de Martha Argerich e Daniel Rivera:

Brahms – Variações sobre um Tema de Haydn | Martha Argerich e Daniel Rivera (pianos)

E, aqui, ouça a versão orquestral da obra:

Brahms – Variações sobre um Tema de Haydn, Op. 56 | Ivan Fischer rege a Orquestra do Festival de Budapest

(Imagem: Procissão da Festa de Santo Antônio de Pádua)