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Schumann - Myrthen (Mirtos)
Música & PoesiaSchumann

Schumann – Myrthen (Mirtos)

Já falamos sobre o ciclo de canções Myrthen (Mirtos), de Robert Schumann, no post sobre os 200 anos de Clara Schumann, no qual citamos a canção Widmung (Dedicatória).

Vamos falar agora sobre suas canções de amor, algumas das mais belas e inspiradas de Schumann. São peças simples e extremamente românticas. As interpretações são de Dorothea Röschmann (soprano), Ian Bostridge (tenor), Graham Johnson (piano).

Der Nussbaum (A Nogueira)

Uma nogueira em flor. A jovem a contempla. O vento suave acaricia as flores e as faz roçar umas com as outras. Elas sussurram uma canção de noivado a acontecer no ano que vem. A jovem adormece sorrindo e sonha.

Der Nussbaum, simples e bela, tornou-se uma canção folclórica.

Die Lotosblume (A Flor de Lotus)

A flor de lotus teme o esplendor do Sol. Cabisbaixa, espera a noite. A Lua (substantivo masculino em alemão) é seu amante. Ela se abre e brilha e, silenciosa, olha para o céu, tremendo de amor e da dor desse sentimento.

O poema de Heine gera uma canção de êxtase, exótica como a flor que dá nome à canção.

Du bist wie eine Blume (Tu és como uma Flor)

Tu és como uma flor, doce, pura e bela. Eu a olho e a tristeza toma meu coração. Sinto como se devesse por minhas mãos sobre tua fonte e pedir a Deus que te conserve tão pura, bela e doce.

A beleza do poema de Heine resiste mesmo a uma tradução pobre e abreviada como essa. Diz Eric Sams, talvez o melhor de seus críticos:

“O poema foi posto em música muitas vezes, mas a versão de Schumann é certamente suprema. Seu gênio se equipara ao de Heine, em sua intimidade e fervor. Sua força se concentra toda em seu amor por (sua noiva) Clara Wieck, tornando sua música tão sensual e cerimonial que a imposição das mãos se torna um gesto ritual de consagração”.