As três últimas sonatas para piano escritas por Schubert datam dos seus últimos meses de vida em 1828.
As peças são geralmente consideradas um conjunto, assim como as três últimas sonatas de Beethoven.
O último ano da vida de Schubert foi de extraordinária produtividade, apesar do agravamento sua saúde: além das três sonatas, ele compôs as Três Peças para Piano, D.946, a Missa D.950, o Quinteto de Cordas, D.956 e a coletânea de canções, Schwanengesang (Canto do Cisne), entre várias outras obras de alto nível.
Sonata para Piano nº. 19 em Dó Menor, D. 958
A primeira das três últimas peças, a Sonata D. 958, é a única em tom menor e usa a mesma tonalidade beethoveniana da Sonata Patética e da Quinta Sinfonia.
Como as demais, possui quatro movimentos. O primeiro começa com uma torrente de movimento
e força, seguida de um segundo tema contrastante, na forma de um hino.
O movimento lento que se segue, um Adagio cantábile, tem uma variação com seções dramáticas em tonalidades contrastantes. Essa agitação permanece no Scherzo, que começa em Dó menor.
O final é frenético, uma tarantela com o mesmo ímpeto obsessivo da canção Erlkönig.
Sonata para Piano nº. 20 em Lá Maior, D. 959
O primeiro movimento da Sonata D. 959 começa amplo e dramático, mas termina com uma suave coda que tem o efeito de preparar a cena para o segundo movimento.
Este, quando chega, parece distante e alheio, muito diferente do movimento anterior.
Na sequência, surge um estranho episódio que poderia ser descrito como uma alucinação e que só tem semelhança com o extraordinário episódio do Adagio do Quinteto de Cordas D. 956, de Schubert.
O final possui uma clima bem humorado, porém os acordes dramáticos da abertura são reprisados ao fim.
Sonata para Piano nº. 21 em Si Bemol Maior, D. 960
O primeiro movimento da Sonata D. 960 é expansivo, sereno como um hino, ocasionalmente perturbado por misteriosos trinados no baixo. Tranquilo, melancólico, este espaçoso movimento dura 20 minutos – tão longo como algumas das sonatas de Beethoven.
No movimento lento, uma obra-prima de lirismo nostálgico, uma figura recorrente na mão esquerda
cria um sentimento de completo êxtase.
O Scherzo que se segue, Allegro Vivace con delicatezza, cintila claro e alegre; sua efervescência somente é interrompida pelo Trio em tom menor.
O final é afirmativo e conduz a obra a uma triunfante coda em andamento Presto.
Ouça a seguir as três últimas sonatas de Schubert interpretadas por Alfred Brendel:
Schubert – Três Últimas Sonatas para Piano, D. 958, D. 959 e D. 960 | Alfred Brendel (piano)