Voltamos a falar de produções cinematográficas que trazem como tema principal personagens ligados à música clássica (reais ou fictícios) e exploram suas biografias recheadas de intensa carga dramática e composições inesquecíveis.
Destacamos mais três filmes: Delírio de amor, sobre a vida de Tchaikovsky; Rhapsody in Blue, sobre George Gershwin; e Todas as manhãs do mundo, sobre os compositores franceses Marin Marais e Jean de Sainte-Colombe.
Delírio de amor (1970)
Paixão criativa, desejo reprimido e muitos excessos dominam esta controversa cinebiografia do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-93), dirigida por Ken Russell. O filme britânico (cujo título original é The Music Lovers) une drama e romance para contar a trágica história do artista, interpretado pelo ator Richard Chamberlain.
Inseguro emocionalmente e depressivo, Tchaikovsky batalha para que sua música seja aceita. Enquanto cria obras imortais, sua vida pessoal desmorona em um turbilhão de paixão, repressão e tragédia. No filme, ele vive uma conturbada relação amorosa com o Conde Chiluvsky (Christopher Gable), mas tenta reprimir seus desejos aceitando um casamento de conveniência com Antonina (Glenda Jackson), ex-aluna instável e obsessiva.
Na cena a seguir, vemos a estreia do Concerto para Piano nº. 1, com Tchaikovsky ao piano, tocando o final do último movimento:
Rhapsody in Blue (1945)
Dirigido por Irving Rapper e estrelado por Robert Alda, Rhapsody in Blue é a cinebiografia do compositor norte-americano George Gershwin. A dramatização de sua carreira meteórica e sua morte trágica aos 38 anos resultou neste filme altamente ficcionalizado, mas que apresenta várias de suas obras de concerto, além de algumas de suas canções mais populares, como Summertime.
Várias figuras do círculo de Gershwin interpretam a si mesmas, entre elas o pianista e humorista Oscar Levant (é dele os solos de piano de Rhapsody in Blue e do Concerto em Fá, no filme).
Com ambição de se tornar um compositor clássico, Gershwin escreveu peças sinfônicas, concertos e uma ópera. A cena a seguir recria a estreia histórica de Rhapsody in Blue no Aeolian Hall. O maestro é Paul Whiteman, que regeu a obra em sua estreia real.
Todas as manhãs do mundo (1991)
Este filme (em francês, Tous les matins du monde), dirigido por Alain Corneau, revisita as figuras de Marin Marais e Jean de Sainte-Colombe, compositores franceses muitas vezes ofuscados por Lully. Além de obras desses compositores, a trilha inclui obras de Rameau e Couperin, todas dirigidas e interpretadas pelo músico Jordi Savall.
Marais (Gérard Depardieu), prestigiado violista de Luís XIV, foi aluno de Sainte-Colombe (Jean-Pierre Marielle). Ao final da vida, conta a história de seu aprendizado com esse mestre da viola da gamba, austero e severo com o seu jovem aluno (Guillaume Depardieu), e de sua ascensão à corte real. O som da viola de gamba, ao longo do filme, desempenha um papel importante na definição do clima.
Na cena a seguir, o jovem Marais, aos 17 anos, visita Sainte-Colombe e toca viola da gamba: