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Beethoven 250

Ludwig van Beethoven, gênio da música e personagem de uma vida conturbada, tem os seus 250 anos de nascimento celebrados em 2020.

Desde a segunda metade de 2019, o site Clássicos dos Clássicos tem abordado a vida e obra do compositor alemão, comentando sobre sua produção por meio de textos, podcasts, vídeos e playlists, além de indicar a programação que acontece em torno das comemorações ao redor do mundo.

Acompanhe e conheça melhor esse ícone da música clássica.

 

Uma obra com possibilidades inesgotáveis

Para muitos especialistas, Beethoven foi o compositor que criou as obras mais complexas na história na música ocidental. Mesmo assim, ele continua sendo um dos mais populares e ouvidos do mundo!

A verdade é que Beethoven é sui generis. Ampliou os limites do estilo clássico, sem mudar sua estrutura formal, transformando a tradição clássica. Expandiu seu alcance emocional, criando também uma música transcendental, especialmente em seus últimos trabalhos.

Considerada pelo filósofo Theodoro W. Adorno como um dos pontos altos da humanidade, sua obra oferece aos apreciadores da música uma infinidade de possibilidades de interpretação, podendo ser vista e revista por meio da teoria musical, da história da arte, da mitologia grega, da filosofia e da psicanálise. Sem esgotar as possibilidades.

Em sua última fase, que compreende os anos de 1815 a 1826, o compositor alemão escreveu obras complexas, profundas e com intensa expressão pessoal, entre essas, a Nona Sinfonia, a Missa Solene, as Variações Diabelli, as cinco últimas sonatas para piano e os cinco últimos quartetos. Esse período é marcado por uma diversidade das criações, com obras mais meditativas e espirituais, e uma linguagem mais abstrata e mais concentrada.

Devido a isso, a complexidade de visões sobre sua produção e a dialética da interpretação sobre a mesma fizeram com que alguns autores considerassem sua música como problemática e decadente, enquanto que outros, como um momento de brilhantismo e ousadia.

A influência de fatores psicológicos e psiquiátricos na vida e na obra de Beethoven também pode ser uma chave para entender a transformação para seu último estilo, tão radical e, ao mesmo tempo, sublime.

Estudiosos acreditam que ele sofria do que hoje é chamado de transtorno maníaco-depressivo ou bipolar. Mentalmente confuso, teria tentado suicídio algumas vezes. Além disso, os problemas de saúde, como a surdez, o tornaram cada vez mais introspectivo, podendo ter afetado suas composições e criatividade.

Obsessivo, escreveu e reescreveu muitas vezes diversos trechos de suas obras. Compunha, por exemplo, pequenas peças (as Bagatelas) quando podia e as guardava. Depois voltava a elas, de tempos em tempos, polindo, burilando, às vezes durante anos, até que as considerasse prontas.

Vários aspectos do estilo final de Beethoven são introspectivos, sutis, técnicos e até mesmo esotéricos. Algumas vezes, podem causar uma barreira para o ouvinte comum, porém, em outras, criam um apelo emocional incrivelmente direto, uma determinação de tocar a humanidade da maneira mais íntima possível…

Um grande exemplo é a Nona Sinfonia. O compositor Richard Wagner não se cansava de repetir: “a Nona traz para a orquestra as palavras, a poesia e a voz humana”. Mesmo antes de seu último movimento, há uma nota popular imediata nas melodias iniciais. É um verdadeiro “aperto de mão” de Beethoven.

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