A palavra “ballet” é uma variação do vocábulo “ballare”, que pode ser traduzido como “bailar”. O balé clássico tem suas origens nas cortes italianas do século XV e remonta às apresentações de pantomima, em que os atores se expressavam através da fisionomia e de movimentos corporais. Chamado de “balletto”, era uma mistura de dança, música e poesia. Quando a italiana Catarina de Medicis se casou com o rei Henrique II e se tornou rainha da França, ela introduziu esse tipo de espetáculo na corte francesa, com grande sucesso.
Na França, o balé, foi se aperfeiçoando durante o reinado de Luís XIV, um grande amante da dança. Lá, foi criada a primeira escola de dança do mundo, a Académie Royale de Danse, em 1661, que ficava em um dos cômodos do Louvre. Nesse período, a música clássica já desempenhava um papel importante nas montagens: o compositor Jean-Baptiste Lully, por exemplo, foi responsável por criar partituras específicas para os balés da corte.
A partir dos meados do século XVII, o balé começou a sair dos palácios e ir para os teatros, passando a ser visto como um gênero dramático sério. O coreógrafo Jean-Georges Noverre criou então o balé sem falas, ou ballet d’action. Nesse momento, o balé se destacou da ópera e do teatro, ganhando projeção para seguir como uma arte independente.
Em 1738, foi inaugurada a segunda escola de dança do mundo, a Escola Imperial de Balé de São Petersburgo, na Rússia, hoje conhecida como Academia Russa de Balé.
No século XIX, durante o período romântico, o balé começou a explorar histórias fantásticas, sobrenaturais e emocionais, além de temas folclóricos e étnicos. Na Rússia, Marius Petipa criou clássicos caracterizados por grande virtuosismo técnico, como O Lago dos Cisnes, O Quebra-Nozes e A Bela Adormecida, todos com música de Tchaikovsky. No início do século XX, o balé russo já era mais célebre que o francês e alguns bailarinos tinham fama internacional, como Anna Pavlova.
Em 1909, Sergei Diaghilev fundou em Paris a companhia Ballets Russes. Sua parceria com o compositor Igor Stravinsky resultou em quatro obras-primas: O Pássaro de Fogo (1910), Petrushka (1911), ambos com coreografia de Mikhail Fokin, A Sagração da Primavera (1913), coreografo por Nijinsky, e Pulcinella (1920), por Leonid Massine.
Do século XX em diante, o gênero evoluiu para estilos mais dinâmicos, porém mantendo sua base clássica, como no chamado balé neoclássico, que tem Balanchine como um de seus primeiros representantes. Em reação aos limites formais da dança clássica e buscando a liberdade e a expressão dos movimentos, surge a dança moderna nos Estados Unidos e na Alemanha, tendo Isadora Duncan, Ruth St. Denis e Marta Graham entre seus principais representantes. Na segunda metade do século XX, a alemã Pina Bausch também dá novos rumos para a dança, explorando os movimentos a partir do cotidiano.
Conheça a seguir algumas obras do balé de vários períodos:
– Jean-Baptiste Lully
– Tchaikovsky – O Lago dos Cisnes
– Stravinsky – A Sagração da Primavera
– Ravel – Bolero
– Prokofiev – Romeu e Julieta