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Música e Dança | Stravinsky – A Sagração da Primavera

A estreia do balé A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, em maio de 1913, causou um dos grandes escândalos da história da música. Logo no início da performance começaram as vaias, e a coisa acabou degenerando e virando um verdadeiro tumulto.

Nijinsky, reconhecendo um desastre iminente, ficou em pé em cima de uma cadeira nos bastidores gritando instruções e animando os bailarinos. No meio da confusão geral, o maestro Pierre Monteux continuou regendo a orquestra. Stravinsky recorda: “Ele parecia imune a tudo, estava impassível como um crocodilo. Até hoje não consigo entender como ele foi capaz de levar a orquestra até o fim”.

Alguns comentaristas dizem que o que chocou o público, além da música, está relacionado à coreografia revolucionária de Nijinsky. Vale comparar a coreografia dos balés de Tchaikovsky (que já apresentamos em outros posts no site) – clássica, harmônica e suave –, com a bruta, angular, descontínua e selvagem da Sagração.

A Sagração da Primavera tem duas seções principais – “A Adoração da Terra” e “O Sacrifício” –, cada uma contendo muitas seções menores com seus próprios títulos. A historiadora da música Elizabeth Schwartz explica: “a estrutura musical é formada por muitos padrões rítmicos repetitivos, chamados de ostinatos. Stravinsky também cita fragmentos de melodias de canções folclóricas russas e lituanas. Harmonicamente, Stravinsky combina as escalas modais das canções populares com uma escala octotônica (feita de intervalos inteiros e meios intervalos) para criar sonoridades ricas e pouco usuais”.

Hoje em dia, pouco mais de um século depois de sua estreia, o que mais chama a atenção como  a verdadeira revolução em A Sagração da Primavera é seu ritmo. Stravinsky conta que conseguia tocar imediatamente no piano a música que lhe vinha à mente. Mas o que foi difícil, o que demorou, foi descobrir a notação correta para escrever a partitura, tal a complexidade e a variabilidade do ritmo.

A história que o balé conta veio de uma visão que Stravinsky teve em 1910: “Vi na imaginação um solene ritual pagão: os sábios anciãos da tribo, sentados em círculo, assistem a uma jovem dançar até morrer. Eles a sacrificam para aplacar o deus da primavera”.

Vamos apresentar a montagem da Sagração comemorativa do centenário de sua estreia, feita no Teatro dos Champs-Elysées, o mesmo da estreia, com a coreografia original de Nijinsky reconstituída, cenografia e figurinos originais de Nicholas Roerich.

Escute o nosso podcast sobre esta obra de Stravinsky: https://classicosdosclassicos.mus.br/multimidia/podcast-stravinsky-sagracao-da-primavera/

Stravinsky – A Sagração da Primavera | Balé e Orquestra do Teatro Mariinky, de São Petersburgo, sob a direção de Valery Gergiev

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