Em mais um episódio da série “Música no Cinema”, continuamos a explorar as produções cinematográficas que têm como inspiração o universo da música clássica.
Destacamos filmes de temática biográfica que contam a história de três artistas: o cantor Farinelli, a cravista e cantora Nannerl Mozart e o compositor Johann Sebastian Bach.
Farinelli (1994)
Este drama biográfico dirigido por Gérard Corbiau conta a história de Carlo Broschi (1705-1782), nome verdadeiro do cantor de ópera castrato conhecido como Farinelli, que cativou o público europeu do século XVIII. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, a produção apresenta momentos chave da carreira do cantor, mas é puramente ficcional no que diz respeito aos aspectos pessoais de sua vida e de sua relação com o irmão, o compositor Riccardo Broschi.
Com liberdade poética, Farinelli, vivido pelo ator Stefano Dionisi, é retratado como uma figura bela e máscula, muito diferente de seu aspecto real, que era franzino e frágil. Para reproduzir o particularíssimo timbre de um castrato, as vozes da soprano polonesa Ewa Małas-Godlewska e do contratenor americano Derek Lee Ragin foram gravadas em separado e depois mixadas eletronicamente.
Na cena a seguir, Farinelli interpreta a ária “Lascia ch’io pianga”, da ópera Rinaldo de Händel:
A irmã de Mozart (2010)
Escrito e dirigido pelo francês René Féret e estrelado por Marie Féret, filha do diretor, o filme apresenta um relato ficcional da infância de Maria Anna Mozart, apelidada de Nannerl, única irmã de Wolfgang Amadeus Mozart.
Criança prodígio, Nannerl é cravista e cantora, mas também anseia por compor e tocar violino. Ela se apresenta com seu jovem irmão em todas as cortes europeias. Ao final de uma viagem de três anos com a família, ela conhece, em Versalhes, o filho de Luís XV, que a incentiva a compor, mas seu pai, Leopold Mozart, a proíbe por ser mulher, obrigando-a a se casar.
Nesta cena, assistimos aos dois irmãos se apresentando na corte:
Crônica de Anna Magdalena Bach (1968)
Dirigido por Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, este filme desafia muitas das convenções da cinebiografia. Evitando o drama, traça a vida de J.S. Bach por meio de trechos do diário de sua esposa, Anna Magdalena, e uma sucessão de sequências musicais nas quais Bach, interpretado pelo cravista Gustav Leonhardt, toca ou rege suas principais obras com instrumentos de época, com músicos trajados com roupas do período e, muitas vezes, no próprio local onde elas foram apresentadas pela primeira vez.
Quase como um documentário, o filme situa a produção de Bach dentro do contexto econômico de sua vida e das tragédias domésticas que o atingiram. A interpretação das ficou a cargo do Concentus Musicus regido por Nikolaus Harnoncourt.
Na cena a seguir, Bach rege o coro “Sicut locutus est” e o início do “Gloria”, do Magnificat BWV 243: