Na semana em que comemoramos o Dia dos Pais, Clássicos dos Clássicos faz uma homenagem à figura paterna nas óperas. Alguns dos personagens mais marcantes do repertório operístico encarnam, de diferentes maneiras, o complexo papel de pai: dos profundamente amorosos e trágicos aos controladores e malévolos, que acabam, muitas vezes, moldando as vidas e os destinos de seus filhos.
Verdi – Simon Boccanegra
Com seu protagonista baseado em um Doge de Gênova que viveu no século XIV, a ópera gira em torno de dois temas centrais: a relação entre pai e filha e o conflito entre responsabilidade pública e desejos pessoais. Simon Boccanegra é proclamado líder de uma Gênova politicamente dividida logo após da morte de sua mulher e de saber que a filha Amelia desapareceu sem deixar vestígios. 25 anos depois, ele tem um reencontro emocionante com a filha no belíssimo dueto “Orfanella il tetto umile” (Pequena órfã, o teto humilde).
Verdi – Simon Boccanegra: “Orfanella il tetto umile” | Marina Poplavskaya (soprano) e Plácido Domingo (tenor). Royal Ballet and Opera.
Puccini – Gianni Schicchi
Lauretta sabe que seu pai Gianni Schicchi, personagem-título desta ópera em um ato de Puccini, vai a extremos para fazer a filha feliz. Embora poucos pais se dispusessem a se fingir de morto para garantir o dote da filha, Schicchi fará o que for preciso para ajudar Lauretta a se casar com o homem dos seus sonhos – e ela sabe disso, como se pode ouvir em uma das árias mais comoventes da ópera, “O mio babbino caro” (Oh, meu querido papai).
Puccini – Gianni Schicchi: “O mio babbino caro” | Sally Helanna Matthews (soprano)
Mozart – Don Giovanni: o Comendador
Dizem que o amor de um pai não tem limites, e isso certamente se aplica ao Comendador na ópera Don Giovanni. Esse pai protetor é morto pelo libertino Don Giovanni, que seduz sua filha, Anna. No ápice dramático e sobrenatural da obra, a estátua de pedra do túmulo do Comendador se levanta do mundo dos mortos para se vingar de Don Giovanni e condená-lo ao inferno.
Mozart – Don Giovanni: cena do Comendador | Dimitris Tiliakos, Antonio Di Matteo, Andrea Concetti e Orchestra Giovanile Luigi Cherubini regida por James Conlon
Wagner – As Valquírias: Wotan
Embora seja verdade que Wotan tenha deixado Brünnhilde, sua filha favorita, adormecida em uma montanha cercada por um círculo de fogo, ele é um dos maiores patriarcas da tetralogia O Anel dos Nibelungos, de Wagner. Obcecado por controle, ele ordena a morte do filho Siegmund em um duelo, não permite que a filha Sieglinde se case com quem ela deseja e pune Brünhilde por tentar ajudar os irmãos, transformando-a em mortal e condenando-a a um sono eterno. Governando o reino dos deuses com mão de ferro, Wotan revela, ocasionalmente, seu lado mais terno com os filhos, como em sua despedida de Brünnhilde, quando a abraça antes de colocá-la em um sono mágico rodeada pelo anel de fogo.
Wagner – As Valquírias: “Leb’ wohl” (Adeus) | Eric Owens (baixo-barítono) e Christine Goerke (soprano). Lyric Opera of Chicago