A ópera barroca se caracterizava por uma teatralidade extrema, com efeitos visuais extravagantes. A temática clássica dominava, com tramas baseadas principalmente nas mitologias grega e romana, ou em grandes feitos heroicos. Com ênfase no solo vocal, o estilo floreado do bel canto era explorado nos recitativos (para narrar a ação cantada em ritmo de fala) e nas árias (para exprimir as emoções dos personagens e o virtuosismo dos cantores). Destacavam-se as vozes agudas, tanto nas mulheres quanto nos castrati.
A partir de L’Orfeo (1607), de Claudio Monteverdi (1567-1643), que revolucionou a maneira de composição e apresentação do gênero, a ópera expandiu-se rapidamente por toda a Itália, chegando, entre outros centros, a Roma na década de 1620 e a Veneza na década de 1630.
Em meados da década de 1650, a ópera começou a se disseminar pela Europa. Na França, onde espetáculos suntuosos não eram novidade na corte de Luís XIV, Jean-Baptiste Lully (1632-1687), florentino de nascimento, escreveu 14 óperas entre 1673 e 1686. Atys (1676), uma tragédie en musique (forma primitiva de ópera francesa), é uma de suas óperas mais emblemáticas:
Lully – Atys: “Entrée et danse des Zéphyrs” | Les Arts Florissants sob a regência de William Christie
A hegemonia de Lully, na França, só viria a ser desafiada por Jean-Philippe Rameau (1683-1764). Les Indes Galantes (1735) é um exemplo perfeito da ópera-balé francesa, repleta de danças vibrantes e rica instrumentação.
Rameau – Les Indes Galantes: “Forêts paisibles” | Les Arts Florissants sob a regência de William Christie
Na Itália, Alessandro Scarlatti (1660-1725) se destacou na transição entre a ópera veneziana e a opera seria (ou dramma per musica). Seu vasto repertório operístico, escrito entre 1679 e 1721, transformou Nápoles em um novo centro da ópera italiana, estabelecendo o chamado “estilo napolitano”. Griselda (1721), sua última ópera, é aclamada pela profundidade psicológica e por árias extraordinárias.
Scarlatti – Griselda: “Mi rivedi, o selva ombrosa” | Bruno de Sá (soprano) e Il Pomo d’Oro regidos por Francesco Corti
Antonio Vivaldi (1678-1741) foi um dos compositores de ópera mais prolíficos de sua época. Segundo suas próprias contas, ele escreveu 94, mas os musicólogos identificaram apenas 49; destas, restaram apenas 22. Na ária “Gelido in ogni vena” (Gelado em cada veia), da ópera Farnace (1727), Vivaldi recorre ao tema de seu concerto Inverno, de As Quatro Estações, para a introdução e os ritornelli.
Vivaldi – Farnace: “Gelido in ogni vena” | Voices of Music, com Christopher Lowrey (contratenor)
Na Inglaterra, a preferência pelo teatro falado predominava, apesar do surgimento de uma forma híbrida, a “semi-ópera”, particularmente associada a Henry Purcell (1659-1695). Sua ópera Dido e Eneias (1688) é célebre pela tocante ária de lamento de Dido. Com ela, a Inglaterra começou a conquistar um lugar de destaque no cenário operístico.
Purcell – Dido e Eneias: “When I am laid in earth” | Jessye Norman (soprano)
Georg Friedrich Händel (1685-1759), que chegara à Itália no final de 1706, se beneficiou do contato direto com Scarlatti, que exerceu uma profunda influência no desenvolvimento de seu estilo. Já no final de 1710, Händel chegou a Londres, onde estabeleceu a hegemonia da ópera italiana. Entre 1711 e 1741, cerca de 40 de suas óperas foram encenadas na cidade. Giulio Cesare (1724) é o ápice da opera seria italiana, com árias expressivas e de extraordinária exigência técnica.
Händel – Giulio Cesare: “V’adoro pupille” | Susanna Phillips (soprano) e Boston Baroque