A ópera no Classicismo (aproximadamente de 1730 a 1820) caracterizou-se por um refinamento estético que abolia os exageros do Barroco e uma ampliação temática para além dos temas mitológicos. Buscando um maior equilíbrio com o drama, a música passou a refletir transições de sentimentos dos personagens de forma fluida, com melodias mais simples e texturas menos complexas que o Barroco.
Além da tradicional ópera séria, ganharam força os gêneros cômicos e populares, como a opera buffa, na Itália, a opéra-comique, na França, e o Singspiel, subgênero operístico que surgiu na Alemanha e que misturava a fala e o canto.
O compositor alemão Christoph Willibald Gluck (1714-1787) ficou famoso por reformar a ópera séria. Ele tirou excessos de ornamentação vocal e deu mais importância ao enredo, à dramaticidade e à integração da abertura com a história. Na ária “Gli sguardi trattieni”, da ópera Orfeu e Eurídice, a personagem Amore (Cupido) aparece para Orfeu e lhe concede permissão para descer ao Submundo e trazer Eurídice de volta à vida.
Gluck – Orfeu e Eurídice: “Gli sguardi trattieni” | Regula Mühlemann (soprano) e Orchestra Collegium 1704, regida por Vaclav Luks
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), considerado o maior compositor de óperas do Classicismo, dominou vários estilos: a ópera séria, em Idomeneo; a opera buffa, em As Bodas de Fígaro; e o Singspiel alemão, em A Flauta Mágica, cuja célebre “Ária da Rainha da Noite” é uma das peças mais tecnicamente desafiadoras de toda a história da música.
Mozart – A Flauta Mágica: “Der Hölle Rache” | Diana Damrau (soprano) e The Royal Opera
Embora Joseph Haydn (1732-1809) seja mais conhecido pela música instrumental, ele também compôs várias óperas para a corte da família Esterházy, entre elas, Armida. O libreto em italiano tem como base o poema épico Gerusalemme liberata (Jerusalém Libertada), de Torquato Tasso.
Haydn – Armida: “Odio, furor, dispetto, dolor” | Chein Reiss (soprano) e Barucco Orchestra regida por Heinz Ferlesch
Já Antonio Salieri (1750-1825), compositor italiano de grande sucesso em Viena durante o período clássico, escreveu óperas importantes no estilo francês e italiano. Tarare é uma tragédia lírica inovadora, com libreto em francês de Beaumarchais, que aborda conceitos como liberdade, igualdade, tirania e o valor intrínseco do indivíduo comum.
Salieri – Tarare: “Je suis né natif de Ferrare” |
Na transição entre o período clássico e o romântico, o italiano Gioachino Rossini (1792-1868) é considerado um dos grandes mestres do bel canto, estilo focado na beleza sonora e na agilidade vocal. Entre suas mais célebres óperas está O Barbeiro de Sevilha.
Rossini – O Barbeiro de Sevilha: “Largo al factotum” | Peter Mattei (barítono), com a Metropolitan Opera regida por Maurizio Benini.