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A ópera através dos tempos: Renascença–Barroco

A ópera através dos tempos: Renascença–Barroco  

A ópera nasceu na Itália durante o final do Renascimento com a intenção de recriar a narrativa musical dramática da Grécia antiga ao fundir poesia, drama e música vocal em uma experiência teatral unificada.

O gênero evoluiu diretamente de formas mais antigas de entretenimento renascentistas, como os interlúdios musicais apresentados entre os atos de peças teatrais, com seus cenários suntuosos, danças e temas mitológicos, e os madrigais, composições vocais seculares apresentadas em grupo para contar histórias com forte teor emocional ou narrativo.

Sua gênese está diretamente ligada à Camerata Florentina, um grupo de poetas, músicos e intelectuais apoiado pelo Conde Giovanni de’ Bardi, que defendeu um novo estilo vocal chamado monodia – uma única linha vocal com acompanhamento instrumental simples que espelhava a fala natural – em oposição à complexa polifonia renascentista, com suas múltiplas linhas vocais entrelaçadas que muitas vezes dificultavam a compreensão do texto.

Jacopo Peri

A ópera mais antiga de que se tem conhecimento é Dafne, de Jacopo Peri (1561-1633), com libreto de Ottavio Rinuccini (1563-1621), composta por volta de 1597 em Florença. Porém a maior parte de sua partitura foi perdida. Assista a seguir a um fragmento:

Dafne (fragmento) | Scoala Consmusic Acamedy

 

Peri é também o autor da primeira ópera cuja partitura sobreviveu na íntegra até aos dias de hoje, Euridice (1600), com libreto de Rinuccini. Composta para o casamento de Maria de Médici com o rei Henrique IV da França, teve sua estreia com Peri cantando o papel de Orfeu. Assista a um trecho:

Euridice: “La Tragedia” e “Se de’ boschi” | Accademia degli Imperfetti

 

Claudio Monteverdi 

A ópera floresceu e assumiu sua grandiosidade como espetáculo durante o início do período Barroco. Claudio Monteverdi (1567-1643) é considerado seu principal compositor na transição entre a Renascença e o Barroco. Destacamos aqui algumas de suas óperas mais representativas.

A primeira grande ópera escrita por Monteverdi, Orfeo (1607) – e a mais antiga ainda encenada regularmente nos dias de hoje –, é baseada no mito grego de Orfeu e Eurídice. A obra revolucionou a maneira de composição e apresentação do gênero. Saiba mais:

Monteverdi – Orfeo

 

Já a ópera Il ritorno d’Ulisse in patria (O retorno de Ulisses à Pátria, 1640) é baseada na Odisseia de Homero, narrando o retorno do protagonista à sua terra natal, Ítaca, e sua luta para derrotar os pretendentes que disputavam o trono e a mão de sua esposa, Penélope. Assista a uma compilação de trechos:

Il ritorno d’Ulisse in patria | Les Arts Florissants, sob a direção de William Christie

 

L’Incoronazione di Poppea (A Coroação de Popeia, 1642) é a última obra de Monteverdi, escrita poucos meses antes de sua morte, aos 76 anos. Seus protagonistas são o imperador Nero e sua recém coroada imperatriz Popeia, dois dos mais perversos e corruptos personagens da história de Roma. Saiba mais:=

Monteverdi – L’Incoronazione di Poppea: Pur ti miro, pur ti godo

 

 

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