
A vida de Wolfgang Amadeus Mozart foi breve. Nascido em 27 de janeiro de 1756, em Salzburg, ele morreu em Viena em 5 de dezembro de 1791 aos 35 anos. Filho do violinista e compositor Leopold Mozart e de Anna Maria Mozart, ele e sua irmã mais velha, Nannerl, foram os únicos sobreviventes dos sete filhos do casal.
Infância e adolescência
Um dos mais extraordinários meninos prodígio da história, aos três anos de idade, Mozart começou a tocar piano; aos quatro, conseguia aprender e executar uma peça ao piano com perfeição; aos cinco, começou a compor peças simples, além de aprender a tocar violino.
Em 1762, aos 6 anos, Mozart começou a sair em turnê com seu pai e sua irmã pelas cortes europeias. Tocou para Luís XV e para a Imperatriz Maria Teresa. Entre 1769 e 1773, esteve na Itália, ganhando elogios do papa Clemente XIV, que lhe concedeu o título de Cavaleiro aos 14 anos.
De volta a Salzburg, em 1773, então com 17 anos, Mozart trabalhou como músico da Corte do Príncipe Arcebispo Hieronymus Colloredo. Nessa época, compôs os seis Quartetos Vienenses, inspirados pelos quartetos de Haydn – que se tornará seu grande amigo –, além de escrever sua primeira sinfonia em tom menor, a Sinfonia nº. 25 em Sol menor, K. 183.
Juventude
Seu pai, ambicioso e controlador, cuidava de toda a educação e carreira do filho. Com isso, seu desenvolvimento intelectual foi privilegiado, em detrimento do aspecto emocional: Mozart era imaturo.
Em 1777, aos 21 anos, ele buscou a colocação em uma corte, indo a Augsburg, Mannheim, Munique e Paris. Seu pai não pôde ir e, assim, sua mãe o acompanhou. Ele nada conseguiu nesta viagem, e o que foi pior, em 1778, sua mãe morreu em Paris.
Uma de suas obras-primas em tom menor escritas nesse período foi a Sonata para Piano e Violino em Mi Menor, K. 304. De caráter lírico e resignado, é breve, com cerca de 10 minutos e apenas dois movimentos, sendo o último de profunda emoção e tristeza contida. No entanto, não há evidência de sua relação com a morte da mãe. Na carta em que comunica o acontecimento ao pai, Mozart fala de seus projetos e diz estar feliz.
Mozart – Sonata para Piano e Violino em Mi Menor, K. 304 | Gil Shaham (violino) e Orli Shaham (piano)
O apogeu da carreira
Em 1781, aos 25 anos, Mozart se demite do emprego na corte de Salzburg e se muda para Viena. No ano seguinte, se casa com Constanze Weber contra a vontade do pai. Eles tiveram seis filhos, dos quais só dois chegaram à maturidade.
Seus primeiros anos em Viena – 1782 a 1786 – foram felizes. Suas obras eram um sucesso, especialmente os concertos para piano e orquestra, que ele também regia e interpretava. Mozart ganhava bem e vivia luxuosamente, não se preocupando em economizar. Entre os concertos que escreveu nesse período está o K. 488:
Mozart – Concerto para piano e orquestra nº 23 em Lá Maior, K. 488 | Maurizio Pollini (piano) e Filarmônica de Viena regida por Karl Böhm
O ano de 1786 marca o apogeu da carreira de Mozart, e suas óperas faziam sucesso. As Bodas de Fígaro teve uma bem-sucedida estreia em Viena e, mais ainda, em Praga; Don Giovanni também foi aclamada na première em Praga, em outubro de 1787.
O declínio
De volta a Viena, foi contratado pelo imperador como compositor da corte, com um modesto salário anual de 800 florins. Mas já em 1787, começam os problemas. Vários de seus amigos morrem ou deixam Viena. Em maio, morre seu pai. Ele se sente sozinho e abandonado.
Pior ainda, Mozart fica “fora de moda”. A complexidade e profundidade de sua música já não agradam ao volúvel público de Viena. Sua popularidade entra em declínio e sua receita começa a diminuir. Em 1788, ele para de compor por vários meses.
No verão de 1789, Constanze vai a Baden para uma cura. Mozart sente muito sua falta nestas ausências. Em julho, ele escreveu: “Tenho vivido em tal miséria e tal tristeza que não apenas não tenho saído de casa, como não tenho podido compor.”
O ano de 1790 talvez tenha sido o mais triste de sua vida. Em dificuldades financeiras, Mozart quase para de compor, queixando-se de estar sem ânimo, deprimido, com dificuldade em se concentrar, falta de energia e forte sentimento de culpa.
Sua saúde se deteriora em 1791. Apesar disso, ele compõe algumas de suas maiores obras, entre elas, A Flauta Mágica.
O “canto do cisne”
Em 1791, enquanto compunha A Flauta Mágica, Mozart recebe a visita de um homem misterioso, alto, magro e todo vestido de cinzento, que encomenda a ele uma missa de Réquiem (era o Conde Walsegg, que queria fazer passar a obra como sua).
Em meados de novembro, com o Réquiem longe de estar terminado, Mozart se recolhe ao leito. Obcecado pela obra, refere-se a ela como seu “canto do cisne”, convencido de que será a música para seu próprio funeral. O homem alto, magro, de aparência grave seria o mensageiro espectral do outro mundo:
“Não consigo tirar da cabeça a imagem do estranho emissário. Eu o vejo continuamente. Ele me pede, me exorta e então me ordena que trabalhe. Eu continuo, porque compor me cansa menos do que o repouso.”
Mozart consegue completar apenas parte do Réquiem. Segundo a tradição, no dia 4 de dezembro ele escreve, a muito custo, alguns compassos do Lacrimosa. Pede então a três amigos que cantem o que acabou de escrever. Ele próprio tenta cantar a parte do contralto, mas começa a chorar e desmaia. Um padre, chamado às pressas, vem dar a extrema unção. À meia noite, ele se despede da família. Às cinco para a uma da manhã do dia 5 de dezembro de 1791, morre Wolfgang Amadeus Mozart.