BLOG

B VOLTAR
Lieder A Canção Alemã

Música & Poesia | Lied: A Canção de Arte Alemã

Clássicos dos Clássicos inicia hoje uma nova coluna – Música e Poesia – que trará quinzenalmente uma seleção de Lieder (canções) de diversos compositores que escreveram para o gênero.

Leia a seguir uma introdução sobre a origem dos Lieder:

Lied: A Canção de Arte Alemã

Após a Guerra dos 30 anos, a Alemanha está exaurida, sua poesia extinta. A retomada, do ponto de vista literário, assume um caráter de volta às origens. Assim, em 1771, o jovem Goethe percorre aldeias da Alsácia, anotando velhas baladas que ouve dos mais antigos. Poucos anos mais tarde, em 1778, seu professor Herder publica uma vasta antologia de canções folclóricas, Stimmen der Völker in Liedern [Vozes dos povos em canções].

Iniciativas como essas indicam o fio de Ariadne para o renascimento da poesia alemã. O folclore é a base sobre a qual se vai assentar a grande revolução do Romantismo. Como resultado disso, entre 1770 e 1870, a grande maioria das peças líricas alemãs é escrita na forma de canções folclóricas transcendidas.

Sua linguagem simples e sua cantabilidade são, em grande parte, responsáveis pelo surgimento de um novo gênero musical: o Lied – a canção de arte, que conhecerá uma grande floração na Alemanha e na Áustria, no século XIX.

A música torna-se metalinguagem da poesia, evoca novos significados no texto, funde-se a ele e o transcende, criando um novo campo de percepção.

Os Lieder frequentemente iluminam os poemas sobre os quais se baseiam, como ilustra um episódio narrado por Rosa Luxemburgo. Durante uma de suas muitas estadias na prisão, ela escreve a uma amiga pedindo que lhe mande o texto do poema “O túmulo de Anacreonte”, de Goethe.

Ela tinha evidentemente esquecido as palavras, mas afirma: “É claro que só entendi o poema através da canção de Hugo Wolf – em que [o túmulo] nos aparece como uma construção arquitetônica: é como se a gente tivesse diante dos olhos um templo grego”. (Rosa Luxemburgo – Carta a Sophie Liebknecht, 2 de agosto de 1917)

(Trecho extraído do livro Beethoven através de um prisma, de Carlos Siffert)

 

DESTAQUES