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Paul Lewis toca Haydn, Brahms e Beethoven em Londres

Clássicos dos Clássicos assistiu ao recital de Paul Lewis, que aconteceu no dia 15 de outubro, no Royal Festival Hall, Southbank Centre, em Londres.

Leia os comentários de Carlos Siffert:

 

O pianista britânico Paul Lewis concluiu, no recital de hoje, sua jornada de três anos, durante a qual se propôs a tecer os fios que entrelaçam a música de Haydn, Brahms e Beethoven.

O concerto começou com a Sonata em Mi Menor, Hob.XVI:34, de Haydn, uma de suas mais belas e imaginativas: bem-humorada, mas também dramática.

Sobre as sonatas de Haydn, Lewis comenta, nas notas de programa:

“Há algum tempo, queria explorar, em detalhe, as sonatas para piano de Haydn. É uma pena que não sejam tão tocadas, já que possuem algumas das passagens mais originais, surpreendentes e absurdamente irresistíveis de todo o repertório pianístico. Não existem muitos compositores cuja música consiga provocar o riso de uma plateia, mas Haydn certamente está no topo dessa lista. Sua habilidade escandalosa de surpreender, chocar e debochar do ouvinte permanece notavelmente fresca até os dias de hoje.”

Seguiram-se os três Intermezzos, Op. 117, de Brahms: obras-primas de despedida, etéreas e melancólicas.

Ao final, vieram as monumentais 33 Variações Diabelli, Op. 120, de Beethoven, uma das maiores obras escritas para o piano (juntamente com sua companheira, as Variações Goldberg, de Bach). Nas notas de programa, Lewis escreve:

“Não consigo imaginar uma produção mais abrangente para o piano. (…) As variações passam do tempestuoso ao instrospectivo; do ridículo à seriedade profunda; da ternura à completa teimosia – chegando até a variação final, que, milagrosamente, segue em todas as direções, ao mesmo tempo.”

Foram magistrais, como sempre, as interpretações de Lewis. Em minha visão (audição), destacaria a Sonata de Haydn – maravilhosa!

Também excelente a execução das Variações Diabelli, com uma pequena restrição pessoal: a muscularidade (“martelação” excessiva do piano). Dela também padecem, por vezes, grandes intérpretes, como um de seus maiores, Sviatoslav Richter.

 

Saiba mais sobre as Variações Diabelli e ouça a playlist com Paul Lewis interpretando a obra:

Paul Lewis no Southbank Centre, Londres

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