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Réquiem

Ao longo dos séculos, textos de cerimônias religiosas em homenagem aos mortos foram musicados. A Missa de Réquiem, designada a partir da palavra latina Réquiem, cujo significado é “descanso” ou “repouso”, é celebrada em memória de uma pessoa falecida. Sua oração de abertura é a frase: “Requiem aeternam dona eis Domine” (Dê a eles o descanso eterno, Senhor). 

Alguns Réquiens foram compostos após experiências pessoais com a morte, como o Réquiem Alemão, de Brahms. Outros foram encomendados por mecenas misteriosos, como o Réquiem de Mozart, ou até por autoridades governamentais, como a Grande Messe des Morts, de Berlioz.

Apresentamos a seguir uma seleção de movimentos emblemáticos de algumas dessas obras, que figuram entre os maiores tesouros da música clássica.

Mozart – Réquiem em Ré Menor, K. 626 (1791)

Esta foi a última obra escrita por Mozart. Envolta em mistério, foi encomendada anonimamente por um mensageiro secreto. Sofrendo com graves problemas de saúde e acreditando que trabalhava na peça para seu próprio funeral, Mozart acabou falecendo antes de terminá-la. A obra foi posteriormente concluída por Franz Xaver Süssmayr, discípulo do compositor. Seu movimento “Lacrimosa” provoca uma profunda reflexão sobre a finitude humana. 

Choeur & Orchestre Clef des Chants Ensemble

 

Berlioz – Grande Messe des Morts (1837)

Famosa pelo uso massivo de coros e metais em escala monumental, a Grande Missa dos Mortos foi encomendada a Berlioz por Adrien de Gasparin, o Ministro do Interior da França, para celebrar a memória dos soldados mortos na Revolução de Julho de 1830. Seu movimento mais impactante é o “Dies irae”, que inclui a seção “Tuba mirum”, conhecida pelo uso dramático dos metais posicionados nos quatro pontos cardeais do espaço, simbolizando o Juízo Final. 

Orquestra Simón Bolívar e Orquestra da Rádio França regidas por Gustavo Dudamel

 

Brahms – Ein Deutsches Requiem (Um Réquiem Alemão, 1868)

O Réquiem de Brahms usa passagens bíblicas em alemão no lugar do tradicional texto da missa latina. Em vez de focar no julgamento dos mortos, busca trazer consolo e paz para os vivos que ficaram. A obra foi inspirada pela morte de sua mãe e de seu mentor, Robert Schumann. Destacamos aqui o suave coro “Wie lieblich sind deine Wohnungen” (Quão amáveis são as tuas moradas).

Dallas Chamber Choir, com Chris S. Brunt e Jordan Peek (piano), sob a regência de Jon L. Culpepper

 

Giuseppe Verdi – Messa da Requiem (1874)

Frequentemente descrito como uma “ópera em trajes eclesiásticos”, o Réquiem de Verdi é dramático, teatral e grandioso. Composta em memória do herói nacional e poeta italiano Alessandro Manzon, esta obra é famosa pelo impressionante e arrebatador “Dies Irae”. Com seus golpes violentos de bumbo e trompetes estrondosos, é uma das peças mais icônicas e aterrorizantes da música clássica. A letra descreve o Juízo Final, o fim do mundo e o tremor da humanidade perante Deus.

Coro e Orquestra da Accademia Nazionale di Santa Cecilia sob a regência de Daniel Harding

 

Fauré – Réquiem em Ré Menor, Op. 48 (1888)

Conhecido por sua atmosfera calma e luminosa, este é um réquiem íntimo e incrivelmente melódico. A abordagem de Fauré é, de certa forma, híbrida: ele seleciona livremente textos da Missa de Réquiem tradicional e de outras liturgias. Aqui, a morte é encarada como uma libertação feliz e uma transição serena. O destaque é para o sublime movimento final “In Paradisum”.

Orquestra Sinfônica do Conservatório de Música e Bailado de Liubliana regida por Slaven Kulenović

 

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