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Schubert e Mozart estilizados sépia

Schubertiades – Parte 1

  1. AN DIE MUSIK (À Música)

“Oh, arte amada,

Em quantas horas sombrias e tristes

Tu despertaste em meu coração a chama do amor

E me transportaste a um mundo melhor.

Abriste os céus para mim.

Oh, arte abençoada, eu te agradeço por isto!

Oh, arte abençoada, eu te agradeço!”

Um hino à música, An die Musik é uma das canções mais conhecidas de Schubert. Sua simplicidade harmônica, o amplo arco de sua melodia e o apoio à linha vocal que vem do baixo do piano fazem dela uma das grandes canções do compositor.

Schubert – An die Musik | Julian Prégardien (tenor)

 

  1. AUF DEM WASSER ZU SINGEN (Para cantar sobre a água)

Há poemas (e poetas, como Goethe) que inspiram muitas canções; outros muito menos (Schiller). O que geralmente inspira um compositor é um poema com uma imagem visual clara. Tal é certamente o caso deste poema: um barquinho em um lago, ondinhas que roçam no barco, um clima de férias. Pronto: uma obra-prima.

Schubert adota um ritmo dactílico forte, estrofes que se prestam a uma estrutura simétrica, clima de férias, de lazer e, finalmente, a imagem das ondas que batem suavemente contra o barco.” (John Reed, biógrafo de Schubert)

Schubert – Auf dem Wasser zu Singen | Cristoph & Julian Prégardien (tenores)

 

Interlúdio

Schubert – Momento Musical nº 4 | Paul Lewis (piano)

 

  1. DIE FORELLE (A Truta)

Die Forelle é uma das canções mais conhecidas e mais queridas de Schubert. Seu tema voltará no quinteto A Truta, sob a forma de um tema com variações.

O personagem do poema é um observador. Ele se deleita vendo os peixes nadando no rio. Surge, então, um pescador. O observador se revolta ao ver que ele, cansado de esperar, turva a água para pegar a truta.

Schubert – Die Forelle | Louise Alder (soprano)

 

  1. DES BACHES WIEGENLIED (Canção de ninar do riacho) 

Do ciclo A Bela Moleira, a canção Des Baches Wiegenlied é um um epílogo. Schubert compõe uma de suas mais belas berceuses (canções de ninar), uma berceuse fúnebre: o moleiro, infeliz por ter sido recusado pela jovem moleira, afoga-se no riacho.

Susan Youens, especialista em Lieder, afirma: 

Des Baches Wiegenlied é um poema de morte e ressurreição, em que o moleiro está, em certo sentido, nascendo para uma nova vida, depois de seus sofrimentos na Terra. Schubert faz algo realmente maravilhoso, porque se pode ouvir, durante a maior parte da canção, um dobre a finados, um sino que toca no acompanhamento do piano. No fim, o riacho promete ao moleiro que vai tratá-lo com carinho até o fim dos tempos. Schubert registra a solenidade deste voto, com as harmonias mais cheias e mais ricas de todo o ciclo”.

Schubert – Des Baches Wiegenlied | Julian Prégardien (tenor)

 

Interlúdio

Mozart – Sonata K. 330: Andante cantábile | Vladimir Horowitz (piano)

 

  1. STÄNDCHEN (SERENATA), D. 957, Nº 4

“Minha canção é um suave apelo,

Dentro da noite, no bosque silencioso.

Venha a mim meu amor e me faça feliz!”

Esta é a serenata mais conhecida da música – e com razão. Em meio a tantas belezas, merece destaque o final da canção.

A paixão do amante se inflama e sua voz se eleva, para depois diminuir e acabar em um murmúrio de desejo.

Schubert – Ständchen D. 957, nº 4 | Julian Prégardien (tenor)

 

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