Franz Liszt foi uma das figuras musicais mais proeminentes do período romântico. Compositor prolífico, pianista e regente, ao longo de sua trajetória produziu cerca de 1.400 obras, principalmente para piano, além de orquestrais e vocais.
Nascido em Raiding, na Hungria, em 22 de outubro de 1811, ainda criança, Liszt já mostrava um excepcional talento ao piano. Mais tarde, em Viena, estudou com Czerny e Salieri, e conheceu Beethoven, por quem tinha profunda admiração. Com apenas 16 anos, já era responsável por administrar sua carreira e a vida de sua mãe. Em 1823, mudou-se para Paris, onde travou contato com músicos importantes, como Berlioz, Chopin e Paganini.
Entre 1839 e 1847, Liszt percorreu toda a Europa como concertista virtuose, conquistando uma fama sem precedentes. Ele causava furor nos salões elegantes e nas salas de concerto, e os fãs viajavam para acompanhar suas turnês. O poeta alemão Heinrich Heine batizou esse fenômeno de “Lisztomania”.
Embora sua carreira fosse repleta de viagens, festas na alta sociedade e “pequenos amores” entre os seus dois relacionamentos mais importantes – a condessa francesa Marie d’Agoult e, mais tarde, a princesa russa Caroline Sayn-Wittgenstein –, Liszt possuía uma notável religiosidade.
Em 1847, abandonou as turnês, voltando poucas vezes a tocar em público. Em 1861, mudou-se para Roma e, quatro anos mais tarde, o Papa Pio IX concedeu-lhe o título de “Abade”. Depois de 1871, viveu entre Roma, Weimar e Budapest, falecendo em 31 de julho de 1886, aos 74 anos, vítima de pneumonia em Bayreuth, na Alemanha.
Destacamos aqui uma pequena seleção de suas composições mais representativas nos diversos gêneros em que escreveu:
Rapsódias Húngaras
Nessas 19 peças curtas para piano, Liszt procurou registrar a música cigana que ouvia em sua terra natal. As obras foram também um veículo para exibir seu virtuosismo.
Doze Estudos de Execução Transcendental
Um conjunto de estudos de extrema dificuldade técnica que elevou a performance pianística a um novo patamar.
Sonata em Si menor
Dedicada a Robert Schumann, cujas composições para piano Liszt admirava muito, a obra não foi bem recebida inicialmente, mas hoje é considerada uma das melhores do compositor.
Os Prelúdios
Liszt foi o criador da expressão “poema sinfônico”, além de estruturar seu formato geral. Este é o terceiro e mais conhecido das 13 obras do gênero que o compositor escreveu.
Transcrições de canções de Schubert
Liszt talvez seja o mais conhecido dos compositores que transcreveram obras de outros autores para o piano. Ele introduzia passagens virtuosísticas e até criava variações, para o delírio das plateias.