Clara Schumann (1819–1896) foi uma das artistas mais influentes e aclamadas do século XIX. Uma verdadeira pioneira, ela causou um profundo impacto na história da música, sendo uma das poucas mulheres que asseguraram fama e reconhecimento como virtuoses do piano por toda a vida. Sua carreira de concertista durou mais de 60 anos.
Como compositora, porém, não recebeu o mesmo reconhecimento, embora suas peças tenham agradado não somente ao público, mas também a grandes mestres de seu tempo, entre eles, Robert Schumann (seu marido), Félix Mendelssohn, Frederick Chopin, Franz Liszt e Johannes Brahms.
Suas composições trazem aspectos inovadores em relação à música ligeira e virtuosística que fazia sucesso na primeira metade do século XIX – são repletas de cromatismos, ritmos elaborados e acordes sem resoluções imediatas. “Compor me dá grande prazer”, escreveu. “Não há nada que supere a alegria da criação, mesmo que seja apenas porque, por meio dela, conquistamos horas de esquecimento de nós mesmos, quando vivemos em um mundo de sons”.
Clara, no entanto, parou de compor aos 36 anos devido às pressões familiares e dificuldades que enfrentou durante a vida. Na primeira metade do século XIX, aliás, composições feitas por mulheres não eram incentivadas. Insegura em relação à qualidade de sua obra, ela afirmou certa vez: “acreditei que possuía talento criativo, mas abandonei essa ideia; uma mulher não deve desejar compor – nunca houve uma capaz de fazê-lo. Devo esperar ser essa mulher?”.
A artista, porém, deixou obras significativas para orquestra, música de câmara, piano solo e Lieder. Destacamos aqui algumas delas:
Concerto para Piano em Lá Menor, Op. 7 | Alice Burla (piano) e Schweizer Jugend-Sinfonie-Orchester regida por Mario Venzago
Trio para Piano em Sol Menor, Op. 17 | Atos Trio
Três Romances para violino e Piano, Op. 22 | Janine Jansen (violino) e Denis Kozhukhin (piano)
Scherzo nº. em Dó Menor | Isata Kanneh-Mason (piano)
Seis Canções, Op. 13 | Sophie Klußmann (soprano) e Alfredo Perl (piano)