Continuamos a apresentar, na série “Música no Cinema”, as trajetórias de grandes personagens da música clássica vistas pelas lentes da sétima arte.
Três grandes artistas de diferentes períodos da história da música inspiraram as produções cinematográficas que destacamos hoje: o compositor barroco Georg Friedrich Händel, o romântico Frédéric Chopin e o singular pianista Glenn Gould.
Conheça mais sobre os filmes a seguir e assista a trechos.
O Grande Senhor Händel (1942)
O Grande Senhor Händel (The Great Mr. Handel) é um drama biográfico britânico filmado no clássico sistema de cores Technicolor. Dirigido por Norman Walker, o longa reconta a trajetória do célebre compositor germano-britânico Georg Friedrich Händel, interpretado pelo ator Wilfrid Lawson, durante um de seus períodos mais conturbados na Inglaterra.
A trama se concentra especificamente nos anos que antecederam a criação de sua obra-prima, o oratório O Messias. As óperas de Händel já não faziam tanto sucesso em Londres, mas o compositor resiste em pedir patrocínio ou favores políticos ao Príncipe de Gales.
Essa postura gera atritos com a realeza e com o clero britânico, que começam a sabotar sua reputação pública. Enfrentando graves problemas de saúde, dívidas e o isolamento social, Händel encontra forças na fé e na arte para superar as dificuldades e compor sua obra sacra mais grandiosa.
No trecho a seguir, assistimos à encenação do coro “Halleluja” apresentado na Royal Opera House, em 1743.
Chopin: Desejo de amor (2002)
Chopin: Desejo de amor (Chopin: Pragnienie miłości), dirigido por Jerzy Antczak, aborda o relacionamento amoroso entre Frédéric Chopin, interpretado por Piotr Adamczyk, e a escritora George Sand, vivida por Danuta Stenka. Filmado em duas versões, em polonês e inglês, na trilha, a música do compositor é executada pelo pianista Janusz Olejniczak.
O filme se inicia quando Chopin ainda vive com os pais e as duas irmãs em Varsóvia. Incentivado a ir para Paris por seu pai, lá ele conhece George Sand, que acabara de se separar de seu amante, Mallefille.
Inicialmente, ele rejeita as investidas da escritora, mas após alguns meses, um romance apaixonado começa a florescer. Durante o relacionamento, Chopin é diagnosticado com tuberculose. A relação se complica pela presença dos dois filhos de George, Maurice e Solange, o que gera uma escalada de conflitos.
Na cena a seguir, Chopin interpreta seu Noturno em Dó Sustenido menor:
Trinta e dois curtas sobre Glenn Gould (1993)
Na produção canadense Trinta e dois curtas sobre Glenn Gould (Thirty Two Short Films About Glenn Gould), dirigida por François Girard, são exploradas as principais ideias do excêntrico pianista Glenn Gould, suas paixões e sua música.
Construída em 32 partes, a obra descreve a trajetória do artista, interpretado por Colm Feore, da infância até os 50 anos de idade. Cada parte encena diferentes aspectos de sua vida, do artístico ao financeiro e do humorístico ao iconoclasta, criando um mosaico impressionista de seu gênio.
A cinebiografia, tão ousada e pouco convencional como seu protagonista, reconstrói a mente brilhante e as obsessões mais íntimas desse artista singular. Espelhando a estrutura das Variações Goldberg de Bach, gravação que o tornou famoso, a narrativa inclui desde reconstituições dramáticas, até cenas mais abstratas, como uma animação acompanhada pela gravação de uma apresentação de Gould.
Assistimos aqui à seção “Passion according to Gould” (Paixão segundo Gould), durante a qual o músico ouve, no estúdio, sua gravação da Giga da Suíte Inglesa nº. 2, de Bach.