Na continuação da série Música no Cinema, abordamos mais três filmes inspirados na vida de grandes compositores da música clássica: Beethoven, Johann Strauss II e Franz Liszt.
As três produções, que perpassam mais de cinco décadas de trajetória cinematográfica, demonstram como o universo da música de concerto tem permanecido uma fonte inesgotável para os amantes da sétima arte.
O segredo de Beethoven (2006)
Com direção da polonesa Agnieszka Holland, o filme O segredo de Beethoven (Copying Beethoven) aborda o último ano da vida do compositor, quando, já num estado avançado de surdez, escreveu a Nona Sinfonia e seus últimos quartetos. Destacam-se os caprichados cenários e figurinos de época, as belas locações na Hungria, além da trilha musical que traz requintes como o uso do pianoforte.
Na trama, a personagem fictícia Anna Holtz (Diane Kruger) é uma aluna de composição que se torna copista de Beethoven (Ed Harris) quatro dias antes da estreia da Nona Sinfonia em Viena, em 1824. Inicialmente descrente, Beethoven a aceita, e assim começa um forte relacionamento entre os dois.
Anna prepara a partitura minuciosamente e ajuda o compositor a reger a sinfonia durante a apresentação. A obra alcança um sucesso retumbante, e Beethoven é virado para a plateia, testemunhando a ovação do público, como assistimos na cena a seguir:
A grande valsa (1938)
Dirigido por Julien Duvivier e estrelado por Luise Rainer e Fernand Gravet, o filme A grande valsa (The Great Waltz) é uma versão hollywoodiana da vida do compositor Johann Strauss II.
Na Viena de 1845, Strauss dedica-se à sua paixão pelas valsas e enfrenta a resistência da sociedade, mas sua música ganha popularidade graças aos cantores de ópera. Ambientado na época do Imperador Franz Joseph, este drama biográfico-musical se desenrola em cenários elaborados e opulentos, onde as valsas do compositor são tocadas, cantadas e dançadas.
Para a trilha sonora, Dimitri Tiomkin adaptou as obras de Strauss e as regeu à frente de uma orquestra de 90 músicos. Impressionante é o fato de que quatorze dos violinos utilizados eram modelos Stradivarius. O filme chegou a receber três indicações ao Oscar, conquistando a estatueta de Melhor Fotografia.
Na cena a seguir, ouvimos a valsa Contos dos bosques de Viena:
Sonho de amor (1960)
Com subtítulo de A história de Franz Liszt, o filme Sonho de amor (Song Without End) tem direção de Charles Vidor e George Cukor, e trata da vida amorosa do compositor húngaro, interpretado por Dirk Bogarde.
Liszt vive com a Condessa Marie D’Agoult (Geneviève Page), mãe de seus filhos, sendo forçado por ela a abandonar sua carreira de virtuose em Paris para se dedicar à composição. Entretanto, ele se apaixona pela princesa russa Carolyne Wittgenstein (Capucine), viaja à Rússia para se apresentar diante do Czar e retoma sua carreira de intérprete. Enquanto corteja a Princesa, que é casada, evita a Condessa.
O compositor inicia um relacionamento amoroso com a Princesa. Juntos, eles enfrentam a rigidez do czarismo e o severo julgamento do Papa. Carolyne pede o divórcio ao marido, mas, quando está prestes a se casar com Liszt, este é anulado. O compositor, então, deixa seus bens para os filhos e se retira para um mosteiro.
Nesta cena, Liszt interpreta “La campanella”, subtítulo do terceiro de seus Seis Grandes Estudos de Paganini: