Na história da música, camponeses e operários são personagens frequentes em óperas e na música vocal. A sonoridade característica de alguns tipos de trabalho também tem sido incorporada por alguns compositores em suas obras. Já outros autores buscaram uma evocação mais poética do espírito trabalhador para suas composições.
Na semana em que se comemora o Dia do Trabalho, destacamos alguns exemplos dessas peças inspiradas por diferentes atividades e situações ligadas ao universo do trabalho.
Bizet – Carmen: Coro “La cloche a sonnée”
O coro “La cloche a sonnée” (Veja como a fumaça sobe), cantado pelas mulheres da fábrica de cigarros na ópera Carmen, de Georges Bizet, é conhecido por sua atmosfera proletária e vibrante, ambientada em Sevilha, na Espanha. No início da ópera, soldados esperam na praça perto de uma fábrica de cigarros. Ao toque de um sino, as operárias saem para um intervalo – Carmen é uma delas. O coro retrata as mulheres como figuras fortes e independentes. A cena é fundamental para estabelecer o cenário social da ópera e a personalidade transgressora da protagonista.
Coro e Orquestra do Festival da Central City Opera regidos por Timothy Myers
Ginastera – Estancia
Talvez o tema mais universal relacionado ao trabalho seja a agricultura. Los trabajadores agrícolas é a primeira parte da suíte do balé Estancia, escrita em 1941 pelo compositor argentino Alberto Ginastera. A obra evoca a vida no campo com uma sonoridade nacionalista inspirada no poema épico Martín Fierro, retratando o amanhecer e o início do trabalho dos camponeses no pampa argentino. A suíte inclui ainda a Danza del trigo, Los peones de hacienda e a Danza final (Malambo).
Frankfurt Radio Symphony regida por Andrés Orozco-Estrada
Händel – Suíte nº 5, HWV 430 – “The Harmonious Blacksmith”
A Ária final da Suíte nº. 5 de Händel ficou conhecida como The Harmonious Blacksmith (O ferreiro harmonioso). Ela ganhou esse apelido devido às notas repetidas da primeira variação, que evocam a sonoridade de um ferreiro em seu ofício, produzindo uma chuva de faíscas incandescentes.
Nathaniel Mander (cravo)
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Haydn – Sinfonia nº. 45, “Despedida”
Os conflitos trabalhistas não são um tema exatamente comum na música clássica, porém a “Sinfonia Despedida” de Haydn se encaixa nessa categoria improvável. Em seu movimento final, os integrantes da orquestra deixam o palco gradual e silenciosamente em protesto contra as condições de trabalho na residência do príncipe Eszterházy. A temporada no palácio do campo havia se estendido muito além do normal e os músicos estavam longe de suas famílias, ansiosos por retornar.
Il Giardino Armonico sob a regência de Giovanni Antonini
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Copland – Fanfare for the Common Man
A Fanfarra para o homem comum é certamente a abertura de concerto mais popular do compositor norte-americano Aaron Copland (1900-1990). A obra foi encomendada por Eugène Goossens, regente da Orquestra Sinfônica de Cincinnati, como um tributo a soldados, marinheiros e aviadores.
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo regida por Marin Alsop (BBC Proms, 2012)
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Copland – Fanfare for the Common Man (Fanfarra para o homem comum)
Chico Buarque de Hollanda – Construção
Considerada uma obra-prima da música brasileira, a canção Construção, de Chico Buarque de Hollanda, é uma crônica que narra a história de um trabalhador da construção civil em seu último dia de vida. Composta em versos dodecassílabos terminando em uma palavra proparoxítona, sua versão original teve arranjo sinfônico do maestro Rogério Duprat, explorando uma sonoridade que simulava os caóticos ruídos da metrópole. Aqui, apresentamos uma orquestração para banda sinfônica.
Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo regida por Mônica Giardini (arranjo: Alexandre Daloia)