As aberturas funcionam como grandes introduções do mundo musical. Concebidas para apresentar temas e criar expectativa, estas peças eram originalmente utilizadas para sinalizar o início de óperas e balés.
Ao longo do tempo, elas se tornaram obras de concerto independentes, e algumas delas são verdadeiras obras-primas. Apresentamos aqui uma seleção destas composições.
As primeiras óperas começavam com um prólogo cantado ou uma breve fanfarra instrumental, como na “Toccata” que abre Orfeo, de Monteverdi. A obra captura imediatamente nossa atenção pelas passagens virtuosísticas, e ganhou diferentes formações instrumentais:
Monteverdi – Orfeo: Toccata | Le Concert des Nations sob a direção de Jordi Savall
Já na ópera As Bodas de Figaro, de Mozart, a abertura é autossuficiente: não cita temas da ópera propriamente dita, nem seu final se funde aos compassos iniciais. No entanto, ela oferece uma amostra deliciosa do espírito da obra: ágil, espirituoso e, muitas vezes, de humor mordaz.
Mozart – As Bodas de Figaro: Abertura | Orquestra da Royal Opera House regida por Antonio Pappano
Algumas aberturas de óperas se tornaram tão famosas que quase assumiram o papel de uma abertura de concerto. Uma das mais conhecidas é a seção em ritmo de galope do final da abertura da ópera Guilherme Tell, de Rossini, com seus célebres toques de trompete:
Rossini – Guilherme Tell: Abertura (final) | Milwaukee Symphony Orchestra regida por Edo de Waart
Beethoven teve dificuldades em conseguir uma abertura adequada para sua única ópera, Fidelio, tendo escrito quatro versões! A terceira, conhecida como Abertura Leonore nº. 3, foi incorporada ao repertório sinfônico como uma peça independente, sendo frequentemente executada:
Baseada no estilo das aberturas de óperas românticas, a abertura de concerto consolidou-se no século XIX como uma obra independente de movimento único que adotava a forma-sonata clássica ou a forma livre do poema sinfônico. Exemplos pioneiros desse tipo incluem a abertura de Sonho de uma Noite de Verão, de Mendelssohn:
Podcast | Mendelssohn, Abertura para Sonho de uma Noite de Verão
Brahms compôs duas aberturas em suas férias de verão de 1880: a Abertura do Festival Acadêmico, de caráter comemorativo, e a Abertura Trágica, de natureza melancólica, mas que atravessa um turbilhão de emoções:
Mais próximo ao final do século XIX, a abertura das óperas foi frequentemente substituída por um prelúdio de forma livre que preparava a cena inicial, como em Tristão e Isolda, de Wagner, que ouvimos aqui como trilha sonora do filme Melancolia, de Lars von Trier:
Música no Cinema: Melancolia – Lars Von Trier | Wagner – Prelúdio de “Tristão e Isolda”
Já o célebre Prelúdio de Carmen, de Georges Bizet, é uma peça orquestral empolgante que funciona como um resumo musical de toda a ópera, contrastando o caráter vibrante de sua protagonista com seu destino trágico:
Bizet – Carmen: Prelúdio | Orquestra da Ópera de Viena regida por Carlos Kleiber