Considerado um dos maiores gênios da história da música, Franz Schubert nasceu em 31 de janeiro de 1797, nos deixando antes de completar 32 anos. Apesar da vida breve, ele foi muito prolífico, tendo mais de mil composições catalogadas. Destas, cerca de 600 são Lieder, as chamadas canções de arte, muito populares nos países de língua alemã no século XIX.
Nesta semana em que comemoramos o aniversário de seu nascimento, homenageamos o compositor apresentando algumas das suas mais belas canções.
Gretchen am Spinnrade (Margarida à roca de fiar)
Em 19 de outubro de 1814, Schubert, então com 17 anos, escreveu uma obra que pôs a canção de arte alemã, o Lied, no mapa. A partir de um poema do Fausto de Goethe, o poder expressivo da música provém, em grande parte, do moto continuo da mão direita do piano, que evoca, ao mesmo tempo, o movimento da roca e o desespero da protagonista abandonada por seu amado.
Kiri Te Kanawa (soprano) e Richard Amner (piano)
Erlkönig (Rei dos Elfos)
Uma das canções mais famosas de Schubert foi composta em 1815, e se baseia no poema homônimo escrito por Goethe em 1782. Um menino enfermo está sendo levado para casa por seu pai, em uma louca cavalgada noturna. O menino vê e ouve seres que seu pai não percebe.
Jessye Norman (soprano)
Der Tod und das Mädchen (A Morte e a Donzela)
Nesta canção, a Morte vem buscar uma jovem, que, aterrorizada, implora: “Segue teu caminho, vai-te, Morte cruel! Sou muito jovem ainda, deixa-me”. A Morte a tranquiliza, sedutora: “Dá-me tua mão, bela e terna criatura. Dormirás docemente em meus braços”.
Júlia Várady (soprano) e Dietrich Fischer-Dieskau (piano)
Ständchen (Serenata)
Escrita nos últimos meses de vida de Schubert, esta é uma das serenatas mais conhecidas da história da música. Baseada em um poema de Rellstab, a letra descreve os apelos de um amante à amada. No final da canção, a paixão do amante se inflama e sua voz se eleva, para depois diminuir e acabar em um murmúrio de desejo.
Julian Prégardien (tenor) e Martin Helmchen (piano)
Auf dem Wasser zu singen (Para cantar sobre a água)
Schubert explorou muito o tema da água em suas obras. Nesta barcarola, a letra descreve o barco que desliza entre as ondas ao cair da tarde. O fluir do barquinho é uma metáfora para a passagem do tempo, como o esplendor do pôr do sol que se repete a cada dia.
Cristoph e Julian Prégardien (tenores) e Michael Gees (piano)
Die Forelle (A truta)
Esta é uma das canções mais conhecidas e queridas de Schubert. Seu tema voltará no quinteto A Truta, sob a forma de um tema com variações. O protagonista é um observador que se deleita vendo os peixes nadando no rio. Surge, então, um pescador. O observador se revolta ao ver que ele, cansado de esperar, turva a água para pegar a truta.
Thomas Cooley (tenor) e Eric Zivian (fortepiano)
Nacht und Träume (Noite e sonhos)
Um hino que expressa a beleza da noite. As linhas em legato da canção criam uma atmosfera etérea. A letra é do poeta Matthäus Casimir von Collin: “Sagrada noite, tu desces à terra;
lá embaixo flutuam também os sonhos”.
Kathleen Battle (soprano) e Lawrence Skrobacs (piano)
Heidenröslein (A rosa silvestre)
Esta obra se tornou uma canção popular na Alemanha. Um menino encontra uma rosa silvestre e resolve colhê-la. A rosa protesta e ameaça feri-lo com seus espinhos. As duas coisas acabam acontecendo: o menino arranca a rosa e ela o espeta.
Peter Schreier (tenor) e Rudolf Buchbinder (piano)
Licht und liebe (Luz e amor)
O quarto ato da tragédia A Morte de Frederico, o Valente, de Matthäus Casimir von Collin, mostra Frederico de volta ao seu querido vale na Áustria. Ele lamenta seu triste destino, quando ouve vozes: primeiro a de um homem e, depois, a de uma mulher, ambas cantando ao longe. As vozes se misturam em um etéreo dueto.
Birgid Steinberger (soprano) e Jan Petryka (tenor)
Die Sterne (As estrelas)
Este encantador lied celebra a beleza e a conexão entre o céu e a terra através do brilho das estrelas. O eu lírico expressa sentimentos profundos sobre a existência, o amor e a presença divina, com gratidão pela luz que o guia e conforta.
Carolyn Sampson (soprano) e Joseph Middleton (piano)