A música do século XX seria inimaginável sem Igor Stravinsky. Nesta semana em que celebramos seu aniversário de nascimento, apresentamos uma seleção das obras mais representativas de sua produção.
Um dos mais importantes e influentes compositores da história da música, Stravinsky nasceu na Rússia em 17 de junho de 1882. Suas composições revolucionaram o ritmo, a orquestração e a forma musical, abrindo novos caminhos.
Sua trajetória percorreu fases distintas: a russa, a neoclássica e a serial (ou dodecafônica). Destacamos a seguir algumas de suas principais peças categorizadas por cada período estilístico.
Período Russo (1907 – 1919)
Esta primeira fase do compositor é caracterizada pelo forte nacionalismo, pelo uso de melodias do folclore russo e pela ênfase no apelo rítmico. Marcada pelo primitivismo, pelas orquestrações grandiosas e pelas dissonâncias, entre os destaques estão suas composições para os Ballets Russes:
– O Pássaro de Fogo (1910) foi a primeira das colaborações revolucionárias entre Stravinsky e Diaghilev, chefe dos Ballets Russes, apresentando ao mundo o jovem e desconhecido compositor. Baseado em contos populares russos, a obra ainda traz traços do impressionismo e do romantismo tardio.
– Petrushka (1911) tem muitas de suas melodias baseadas em canções folclóricas russas. Stravinsky usa ritmos complexos e andamentos que mudam continuamente, dificultando a coreografia dos bailarinos.
– A Sagração da Primavera (1913): frequentemente considerada um divisor de águas na música do século XX, a estreia da obra causou um verdadeiro escândalo em Paris. A composição é caracterizada pelos ritmos primitivos e percussivos e sua politonalidade.
Período Neoclássico (1920 – 1954)
Após os excessos sonoros, Stravinsky voltou-se para as formas, estéticas e técnicas do passado, especialmente dos períodos Clássico e Barroco. Sua produção neste período busca o equilíbrio e frequentemente reinterpreta temas da mitologia grega ou textos religiosos.
– Pulcinella (1920): este balé é considerado o marco inicial de seu período neoclássico. Baseado em composições atribuídas ao compositor barroco Giovanni Battista Pergolesi, Stravinsky preservou a maior parte dos temas do autor, mas acrescentou harmonias pungentes e ritmos irregulares à música.
– Sinfonia dos Salmos (1930): nesta obra-prima coral-sinfônica, a relação entre música e palavra é central. Com profunda espiritualidade e atmosfera ritualística, Stravinsky retrata a natureza religiosa do texto por meios de suas técnicas de composição. Influências do Renascimento e do Barroco estão em partes substanciais da peça, em contraponto fugado.
Orquestra e Coro do Teatro La Fenice regidos por Riccardo Muti
– The Rake’s Progress (A vida de um libertino, 1951) é considerada a ópera mais popular de Stravinsky. Sua inspiração surgiu de seu contato com uma série de gravuras do poeta inglês William Hoghart, retratando a vida de um personagem do século XVIII de forma realista e satírica. A música evoca as óperas de Mozart, com pitadas de Rossini, Verdi e Händel.
The Rake’s Progress: “Ruin, disaster, shame” | London Philharmonic Orchestra e The Glyndebourne Chorus regidos por Vladimir Jurowski.
Período Serial ou Dodecafônico (1954 – 1968)
Em seus últimos anos, Stravinsky surpreendeu o mundo ao adotar e adaptar o serialismo e a técnica dodecafônica (organização da música por séries de doze notas), porém mantendo sua identidade musical.
– Agon (1957): coreografada por George Balanchine, esta é uma peça de transição que mistura elementos neoclássicos com as primeiras experiências seriais de Stravinsky. Sem enredo, intrincado e abstrato, o balé é interpretado por 12 bailarinos em 12 seções. Um marco na história da dança moderna, é considerado “um manual vivo sobre a arte de mesclar música e movimento”.
New York City Ballet, com Adrian Danchig-Waring e Unity Phelan (solistas)
– Requiem Canticles (1966): última obra de grande escala do compositor, sintetiza seu pensamento serial tardio em fragmentos fúnebres compactos e de intensa densidade expressiva. Escolhida para o funeral do compositor, em 1971, é inspirada na missa dos mortos da liturgia católica. A obra é, de certa forma, uma síntese da carreira de Stravinsky.
Philharmonia Orchestra e The Simon Joly Chorale regidos por Robert Craft